Benfica SAD trava venda de 16,38% ao fundo norte-americano Entrepreneur Equity Partners
A tentativa de alienação de uma participação relevante na Benfica SAD falha depois de a estrutura societária do clube não validar a operação prevista entre José António dos Santos e a Entrepreneur Equity Partners. O negócio abrangia 3.767.400 ações, equivalentes a 16,38% do capital, e esbarra em regras estatutárias ligadas a potenciais conflitos de concorrência.
Destaques
- Benfica SAD bloqueou a venda de 16,38% do capital à Entrepreneur Equity Partners por restrições estatutárias e falta de aprovação em assembleia-geral.
- Acordo de venda envolvia 3.767.400 ações por cerca de 12 euros por título, referente à posição de José António dos Santos e Grupo Valouro.
- Desistência da operação mantém inalterada a estrutura acionista da SAD, justificando-se pela possível violação das cláusulas de não concorrência dos estatutos.
Operação cai por restrições estatutárias
Segundo um comunicado remetido à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, José António dos Santos informou oficialmente a Benfica SAD de que os norte-americanos da Entrepreneur Equity Partners não vão concretizar a compra da participação de 16,38% do capital, confirmando o que o fundo já tinha indicado.O acionista explica que a operação não avança porque a SAD benfiquista não aprova o negócio ao abrigo de uma prerrogativa estatutária, não existindo a necessária aprovação em assembleia-geral da SAD. Assim, acrescenta que não haverá transmissão das participações anteriormente comunicadas.
Em causa estava um acordo de venda de 3.767.400 ações representativas de 16,38% do capital social, repartidas entre uma participação individual e uma posição do Grupo Valouro, presidido por José António dos Santos. O valor da operação rondaria 12 euros por título.
Impacto na estrutura acionista e contexto do impasse
Na terça-feira, a Benfica SAD já tinha comunicado à CMVM que o fundo renunciava a adquirir a participação detida pelo chamado Rei dos Frangos. A desistência mantém inalterada a atual estrutura acionista da SAD, pelo menos no que respeita a esta posição qualificada.A Bloomberg tinha avançado que o negócio teria caído por terra e referia que a administração liderada por Rui Costa teria invocado um ponto dos estatutos sobre concorrência, uma vez que o mesmo fundo, ligado ao multimilionário norte-americano Tim Leiweke, detém uma posição no clube italiano Veneza.
No comunicado, a SAD afirma que, durante o período previsto no pré-acordo com o Grupo Valouro e José António dos Santos, manteve reuniões com a EEP e trocou informação com o investidor. Desse processo resultou um entendimento comum de que, face ao plano de crescimento e investimento do fundo em participações minoritárias noutros clubes europeus, o perímetro futuro da EEP poderia colidir com princípios de não concorrência previstos nos estatutos da Benfica SAD.
Na nossa publicação anterior, abordámos a renúncia do fundo norte-americano Entrepreneurial Equity Partners (EEP) à compra de 16,38% da Benfica SAD detidos por José António dos Santos. Explicámos que a decisão foi tomada por entendimento entre as partes, perante um potencial conflito com princípios estatutários de não concorrência ligados aos investimentos do fundo noutros clubes europeus.
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