TAP Air Portugal avança com emissão de dívida de 300 milhões de euros para reforçar balanço
A TAP Air Portugal prepara uma emissão de dívida sénior de 300 milhões de euros com vencimento em 2031, numa fase em que procura reforçar a sua estrutura financeira antes do processo de privatização. A operação surge apesar da subida das receitas e da melhoria de alguns rácios financeiros, num contexto em que a companhia continua pressionada por custos operacionais elevados e necessidades de capital.
Destaques
- TAP Air Portugal anuncia emissão de obrigações sénior de 300 milhões de euros para investidores institucionais e contrapartes elegíveis, com vencimento em 2031.
- A operação, coordenada por Citigroup e Crédit Agricole CIB, ocorre enquanto o Estado português prepara a venda de até 49,9% do capital da companhia.
- Em 31 de março, a TAP reporta liquidez de 879,8 milhões de euros, dívida líquida/EBITDA de 2,2x e prejuízo líquido trimestral de 39,9 milhões de euros.
Emissão visa apoiar financiamento e transição
ThePortugalPost noticiou que a TAP Air Portugal anunciou uma emissão de obrigações sénior de 300 milhões de euros, destinada a investidores institucionais e contrapartes elegíveis, com vencimento em 2031. A transportadora indica que os fundos se destinam a fins corporativos gerais e a custos da transação, sublinhando também que não existe garantia de fecho da operação nem de definição dos termos finais.A emissão é estruturada ao abrigo da Regulation S e da Rule 144A, enquadramentos que permitem a emissores fora dos U.S. acederem aos mercados internacionais de capitais sem registo integral junto da SEC, desde que os títulos sejam colocados junto de compradores institucionais qualificados. Citigroup e Crédit Agricole CIB atuam como coordenadores globais da operação, enquanto Bank of America e Morgan Stanley assumem o papel de joint bookrunners.
A companhia salienta ainda que o anúncio não constitui uma oferta de venda nem uma solicitação de compra, ficando qualquer colocação final sujeita a restrições específicas de cada jurisdição. O recurso ao mercado de dívida acontece numa altura em que o Estado português avança com planos para vender até 49,9% do capital da companhia.
Pressão financeira mantém-se no setor aéreo
A TAP sai em junho de 2026 do processo de reestruturação imposto pela Comissão Europeia, depois de alienar participações na Cateringpor e na SPdH e de reembolsar 24,99 milhões de euros ao Estado português. Em 31 de março, a empresa apresentava uma almofada de liquidez de 879,8 milhões de euros e um rácio de dívida líquida sobre EBITDA de 2,2 vezes, abaixo das 2,6 vezes registadas no final de 2025.No primeiro trimestre de 2026, a companhia regista um prejuízo líquido de 39,9 milhões de euros, embora as receitas cresçam 11%, para 914,4 milhões de euros, impulsionadas por uma subida de 6,4% no número de passageiros, para 3,7 milhões. Ainda assim, o perfil financeiro da transportadora continua sob pressão devido ao aumento dos custos operacionais e às exigências de capital típicas da aviação europeia.
Para Portugal, a operação sinaliza que a TAP procura apresentar um balanço mais sólido antes da entrada de novos acionistas, ao mesmo tempo que evidencia a continuação das necessidades de refinanciamento da companhia. Num mercado europeu afetado por custos de combustível, negociações laborais e exigências regulatórias, a capacidade de financiar operações e investimento continua a ser determinante para a rentabilidade e para a evolução dos preços das viagens.
A emissão de obrigações sénior de 300 milhões de euros da TAP, com maturidade em 2031, já tinha sido destacada na nossa publicação como parte da estratégia de financiamento da transportadora enquanto decorre a privatização parcial. O texto enquadrava ainda o interesse de grupos europeus e o calendário do processo, com a venda até 49,9% do capital e a possibilidade de um modelo transitório de cogestão antes da entrada efetiva de novos acionistas.
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