Portugal reduz excedente externo até abril com agravamento da balança de bens
A economia portuguesa mantém saldo externo positivo até abril, mas o excedente encolhe face ao mesmo período do ano passado. O recuo reflete sobretudo o agravamento da balança de bens e uma descida do excedente dos serviços, apesar de uma melhoria no défice do rendimento primário.
Destaques
- O excedente externo de Portugal até abril caiu 46,7% para 814 milhões de euros, devido ao aumento do défice da balança de bens.
- Importações aumentaram 2.133 milhões de euros, superando o crescimento de 1.165 milhões de euros nas exportações, pressionando negativamente o saldo externo mensal.
- A capacidade de financiamento em 890 milhões de euros resulta do investimento de seguradoras e fundos em dívida e do aumento dos depósitos dos particulares e setor público no exterior.
Contas externas até abril e fatores da variação
Segundo o Banco de Portugal, e conforme reporta o Jornal de Negócios, a economia portuguesa regista um excedente externo de 814 milhões de euros até abril, menos 46,7% do que no mesmo período de 2025.Face a março, o saldo aumenta em 626,15 milhões de euros, mas continua abaixo do observado nos primeiros quatro meses do ano passado. O banco central destaca que a evolução mensal resulta de um aumento de 968 milhões de euros no défice da balança de bens, num movimento explicado por importações a crescerem 2.133 milhões de euros, acima do aumento de 1.165 milhões de euros nas exportações.
O excedente da balança de serviços também recua 167 milhões de euros, numa variação explicada sobretudo pelo aumento das importações de serviços de transporte, em especial de transporte marítimo de carga. Ao mesmo tempo, o défice da balança de rendimento primário diminui 468 milhões de euros, principalmente devido à redução dos juros pagos ao exterior.
Financiamento da economia e leitura para a atividade
A capacidade de financiamento da economia portuguesa até abril traduz-se num saldo da balança financeira de 890 milhões de euros. De acordo com o BdP, os setores que mais contribuem para este resultado positivo são as seguradoras e fundos de pensões, através do investimento em títulos de dívida, bem como os particulares e as administrações públicas, por via do aumento dos seus depósitos no exterior.Em sentido contrário, as empresas não financeiras e o banco central apresentam as maiores reduções de ativos líquidos, refletindo o aumento dos passivos de capital e dos depósitos, respetivamente. Em abril, o excedente externo atinge 626 milhões de euros, acima dos 338 milhões de euros registados no mesmo mês do ano passado.
Na nossa publicação anterior, destacámos a agenda de mercado acompanhada pelos investidores em Portugal, com atenção a desenvolvimentos geopolíticos, decisões de bancos centrais e novos indicadores nacionais. Nesse contexto, sublinhámos que o Banco de Portugal iria divulgar dados da balança de pagamentos — um termómetro para exportações, importações e fluxos de capital — e que o mercado também mantinha o BCP no radar após as ações voltarem a negociar acima de 1 euro pela primeira vez desde 2015.
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