Mercados em Portugal acompanham acordo EUA-Irão, decisão do BoE e dados do BdP

Mercados em Portugal acompanham acordo EUA-Irão, decisão do BoE e dados do BdP
Mercados atentos a eventos-chave

Os investidores em Portugal acompanham esta quinta-feira uma agenda marcada por desenvolvimentos geopolíticos, política monetária no UK e novos indicadores sobre a economia nacional. O foco do mercado estende-se ainda ao comportamento das ações do BCP após o banco voltar a negociar acima de um euro pela primeira vez desde 2015.

Destaques

  • Os EUA e o Irão assinaram digitalmente um memorando de entendimento com impacto nos mercados, sob incerteza geopolitica no estreito de Ormuz.
  • O Banco de Inglaterra deve manter a taxa diretora em 3,75% enquanto o desemprego britânico de abril é esperado em 5% após contração económica de 0,1%.
  • As ações do BCP subiram 3,82% a 1,0255 euros, ultrapassando pela primeira vez desde 2015 a fasquia de um euro e atingindo capitalização de 15 mil milhões de euros.

Agenda de mercado entre geopolítica e bancos centrais

Segundo o Jornal de Negócios, os EUA e o Irão assinam digitalmente na quarta-feira à noite um memorando de entendimento que entra já em vigor, embora permaneça incerteza sobre a navegação no estreito de Ormuz. Horas antes, o Presidente dos EUA, Donald Trump, volta a ameaçar recuar no acordo, ao afirmar que o documento não é um texto final, mantendo a atenção dos mercados, sobretudo na Europa, centrada na evolução deste dossiê.

Os investidores continuam também a reagir à sinalização da Reserva Federal para um possível corte nas taxas de juro ainda este ano. No UK, o Banco de Inglaterra deverá manter a taxa diretora em 3,75% na reunião desta quinta-feira, apesar da escalada da inflação, ao mesmo tempo que o mercado acompanha a divulgação da taxa de desemprego de abril, esperada em 5%, depois de a economia britânica ter contraído 0,1% em abril na comparação mensal.

Indicadores portugueses e BCP no radar

Em Portugal, o Banco de Portugal divulga os dados da balança de pagamentos, um indicador acompanhado para avaliar a evolução das exportações, importações e fluxos de capital, bem como a saúde da economia nacional. O Instituto Nacional de Estatística publica também os dados de maio do índice de preços na produção industrial, acrescentando novos sinais sobre a atividade económica.

Na bolsa de Lisboa, os investidores seguem a evolução do BCP depois de as ações do banco terem subido 3,82% na sessão de quarta-feira, para 1,0255 euros, superando a fasquia de um euro pela primeira vez desde 2015. O movimento elevou a capitalização bolsista para cerca de 15 mil milhões de euros, num marco que o CEO Miguel Maya descreve como resultado de muito trabalho desenvolvido ao longo de muitos anos por muitas pessoas.

Fora do mercado nacional, os dirigentes da União Europeia reúnem-se ainda em Bruxelas para uma cimeira de dois dias convocada por António Costa. Entre os temas em discussão estão a competitividade do bloco, o orçamento de longo prazo para 2028-2034, a guerra na Ucrânia, a situação no Médio Oriente, a migração e as drogas ilícitas.

Na nossa análise anterior sobre a queda dos preços do petróleo, destacámos que o Brent e o WTI recuaram após um acordo provisório entre os EUA e o Irã reduzir parte do prêmio de risco geopolítico. Ainda assim, sublinhámos que a principal incerteza continuava a ser a normalização da navegação e dos fluxos de petroleiros no Estreito de Ormuz, o que mantém o mercado cauteloso e sujeito a volatilidade.

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