Portugal prevê descida moderada dos combustíveis com alívio no mercado petrolífero
Portugal prepara-se para uma descida moderada dos preços dos combustíveis, numa altura em que a melhoria das cotações internacionais do petróleo ainda demora a chegar aos postos de abastecimento. O Governo indica que qualquer alívio mais visível deverá surgir apenas na próxima semana, enquanto mantém em retirada gradual o mecanismo fiscal extraordinário aplicado ao ISP.
Destaques
- Os preços dos combustíveis em Portugal deverão descer moderadamente na próxima semana, com previsões de recuo de 0,10 euro por litro no gasóleo e 0,06 euro na gasolina.
- O Brent caiu de mais de 103 dólares para 77,15 dólares por barril após o memorando de entendimento de 19 de junho de 2026 sobre o Estreito de Ormuz, beneficiando países como Portugal que compram produtos refinados indexados ao Brent.
- A carga fiscal representa 49,3% do preço da gasolina, 42% do gasóleo e 30,3% do GPL, limitando o impacto imediato da descida do crude para consumidores e setores dependentes.
Calendário da descida e mecanismo fiscal
Como noticiou o The Portugal Post, o Ministério das Finanças de Portugal sinaliza que os preços dos combustíveis não caem de forma acentuada de imediato, apesar da melhoria recente das referências internacionais do crude.Na apresentação após o Conselho de Ministros, o ministro de Estado e das Finanças, Leitão Amaro, afirma que a passagem dos movimentos do mercado global para os preços ao consumidor exige tempo. As atualizações semanais costumam ser fechadas à sexta-feira e entram em vigor na segunda-feira seguinte, o que empurra qualquer ajustamento mais relevante para, no mínimo, a próxima semana.
As previsões de mercado apontam para uma descida de 0,10 euro por litro no gasóleo e de 0,06 euro na gasolina, embora a confirmação oficial só seja conhecida na sexta-feira. Na segunda-feira, o gasóleo já tinha recuado 0,026 euro por litro, para cerca de 1,857 euro, enquanto a gasolina se mantinha praticamente estável em 1,919 euro por litro.
O Executivo continua a aplicar o desconto extraordinário no ISP para compensar o efeito inflacionista da subida do crude. Em meados de junho, esse alívio fiscal era de 0,042 euro por litro na gasolina e de 0,0515 euro no gasóleo, mas o Orçamento do Estado para 2026 prevê a eliminação progressiva da medida, num processo que Bruxelas enquadra como auxílio de Estado.
Impacto do petróleo e efeito na economia portuguesa
A melhoria do sentimento no mercado energético surge depois do anúncio, em 19 de junho de 2026, de um memorando de entendimento entre Washington e parceiros regionais, com uma janela de negociação de 60 dias e compromisso de reabertura do Estreito de Ormuz. O canal concentra cerca de 20% dos fluxos mundiais de petróleo e gás natural liquefeito, pelo que qualquer normalização tem efeito direto nas referências globais.Depois de ter ultrapassado 103 dólares por barril nas últimas semanas, o Brent cai para 77,15 dólares na quinta-feira de manhã, enquanto o WTI recua para 74,30 dólares. A descida reforça a expectativa de alívio para Portugal, que embora não importe petróleo diretamente por essa rota, compra produtos refinados indexados ao Brent e beneficia da estabilização global dos preços.
A carga fiscal continua, ainda assim, a pesar no preço final pago pelos consumidores. Segundo os dados citados no texto de origem, os impostos representam 49,3% do preço da gasolina, 42% do gasóleo e 30,3% do GPL, o que mantém pressão sobre famílias, transportadoras e agricultores mesmo num cenário de recuo do crude.
Os principais bancos mantêm perspetivas divergentes para a trajetória do Brent até 2027, mas convergem na ideia de normalização gradual da oferta. Para os condutores portugueses, isso significa que o benefício total da queda do petróleo pode demorar semanas ou meses a chegar, devido ao intervalo entre compras de refinaria, transporte e revisão dos preços no retalho.
Na nossa publicação anterior, acompanhámos a retoma do tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz após a assinatura de um memorando de entendimento entre os EUA e o Irã, com reabertura imediata da rota e uma janela de negociação de 60 dias. O texto destacava que a normalização completa da navegação levaria tempo, mas que o impacto no mercado foi rápido, com o Brent a cair para níveis abaixo de US$ 78 por barril.
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