Portugal consolida investimento hoteleiro e reforça turismo como pilar de 29,1 mil milhões de euros

Portugal consolida investimento hoteleiro e reforça turismo como pilar de 29,1 mil milhões de euros
Turismo impulsiona economia

O mercado hoteleiro português entra em 2026 com um perfil mais maduro e com maior peso nas carteiras de investidores europeus, à medida que o setor deixa de ser visto como aposta emergente. A mudança ganha relevância económica porque o turismo já representa mais de 10% do PIB nacional e sustenta novos fluxos de capital, expansão de marcas internacionais e pressão acrescida sobre habitação e custos operacionais.

Destaques

  • Portugal é o quarto mercado europeu mais atrativo para investimento hoteleiro, com o volume de transações nos primeiros quatro meses de 2026 já superando o total de 2025.
  • Estratégias value-add respondem por 53% das intenções de investimento, focando requalificação e eficiência, enquanto segmentos luxury e upper-upscale concentram 53% e 44% da procura respectivamente.
  • As receitas do turismo atingiram 29,1 mil milhões de euros em 2025, prevendo-se para 2026 um aumento de 3% nas receitas e uma subida de 4,9% na hotelaria até fevereiro, apesar da pressão em taxas de ocupação e custos de construção.

Capital institucional acelera no setor hoteleiro

The Portugal Post refere que a hotelaria em Portugal passou a ser encarada por investidores europeus como um mercado consolidado, depois de anos em que os ativos eram vistos como mais complexos e vulneráveis a choques macroeconómicos. O texto cita o inquérito CBRE European Hotel Investor Intentions Survey 2026, segundo o qual mais de 90% dos investidores inquiridos planeiam manter ou aumentar exposição à hotelaria europeia este ano, enquanto 30% preveem um aumento substancial das alocações.

Portugal surge em quarto lugar na Europa em atratividade para investimento hoteleiro, atrás de Itália, Espanha e UK, com Lisboa a ocupar a sexta posição entre as cidades europeias. Nos primeiros quatro meses de 2026, o volume de investimento já supera o total de 2025, o que coloca o ano na rota de um máximo em transações hoteleiras.

O perfil do capital também muda. As estratégias de value-add lideram 53% das intenções de investimento, com foco na aquisição de ativos vagos ou com fraco desempenho, requalificação, melhoria de eficiência operacional e entrada de marcas internacionais; as estratégias oportunísticas representam mais 25%.

Os segmentos de luxo e upper-upscale concentram a maior procura, com 53% e 44% das preferências dos investidores, respetivamente. Ao mesmo tempo, cresce o interesse por modelos mais resilientes, como estadias prolongadas e all-inclusive, enquanto a reabilitação de edifícios antigos para melhorar a eficiência energética passa a ser um critério central de investimento.

Expansão de marcas e efeitos na economia portuguesa

Até ao fim do ano estão previstas 114 aberturas de hotéis em Portugal, com grupos internacionais a reforçarem presença em Lisboa, Porto, Algarve e em destinos emergentes como Comporta, vale do Douro e Alentejo interior. IHG Hotels & Resorts lidera com nove novas unidades e 976 quartos em cidades como Lisboa, Braga, Albufeira, Portimão, Évora e Porto, incluindo a estreia da marca Kimpton no país e o lançamento do Six Senses Lisboa.

A Hyatt prepara três novas unidades até ao fim do ano, enquanto a Hilton entrou em Comporta com o Santo André Beach Hotel sob a marca Tapestry Collection. A neerlandesa Odyssey Hotel Group definiu a meta de gerir 10 ativos em Portugal até 2028, começando com um hotel de 200 quartos no Porto, e a espanhola Olivia Hotels abriu a sua primeira unidade no mercado português em abril de 2026.

O impacto económico mantém-se relevante. As receitas do turismo atingiram 29,1 mil milhões de euros em 2025, e a Associação da Hotelaria de Portugal prevê para 2026 um aumento de 2,5% nas chegadas de hóspedes, de 1,7% nas dormidas e de 3% nas receitas. Nos primeiros meses do ano, as receitas da hotelaria sobem 4,9% em termos homólogos até 576 milhões de euros até fevereiro, impulsionadas sobretudo por uma subida de 3,1% na tarifa média diária para 120 euros.

Esse crescimento, porém, assenta mais em preços do que em volume. A taxa de ocupação cai pelo nono mês consecutivo em abril, embora o RevPAR ainda avance 0,6%, sinalizando que os operadores recorrem à força das marcas e ao posicionamento de mercado para proteger rentabilidade.

O avanço do setor traz também custos e tensões. Lisboa e Porto enfrentam maior pressão no mercado habitacional com conversões de imóveis e expansão do alojamento de curta duração, enquanto os custos de construção sobem 5,9% em abril de 2026, pressionados por mão de obra, materiais e energia. A escassez de trabalhadores qualificados, a capacidade limitada dos aeroportos, sobretudo em Lisboa, e a incerteza regulatória sobre licenciamento e ordenamento urbano continuam a condicionar a próxima fase de crescimento.

No nosso artigo anterior sobre o novo estudo da CIP e do Instituto Amaro da Costa, explicámos que o trabalho de James A. Robinson e Nuno Palma será apresentado em Lisboa e pretende apoiar a definição de medidas para reforçar o desenvolvimento e a competitividade da economia portuguesa. A análise centra-se em áreas económicas-chave e procura contribuir para o debate sobre as condições estruturais de crescimento e a capacidade do país atrair investimento.

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