Zeekr prepara lançamento de SUV híbridos plug-in em Portugal até ao fim de 2026
A Zeekr está a preparar a expansão da sua oferta em Portugal com modelos híbridos plug-in, numa mudança estratégica face à atual gama exclusivamente elétrica. A chegada prevista para o fim de 2026 acompanha a procura crescente na Europa por veículos com maior autonomia combinada e menor dependência da rede de carregamento.
Destaques
- Zeekr planeja lançar os SUV híbridos plug-in 9X e 8X em Portugal até o final de 2026, com divulgação dos preços prevista antes do verão.
- O Zeekr 9X terá até 1.250 km de autonomia combinada e até 1.380 cv, enquanto o 8X oferece até 1.049 km e versão topo de 1.400 cv, ambos com carregamento ultrarrápido superior a 400 kW.
- Entre janeiro e maio de 2024, híbridos plug-in representaram 9,7% das vendas europeias, com marcas chinesas conquistando 36% do segmento e aumentando a competição no mercado PHEV.
Lançamento europeu e calendário para Portugal
Segundo The Portugal Post, citando a Automotive News Europe, a Zeekr avança com planos para levar os SUV híbridos plug-in 9X e 8X à Europa até ao fim de 2026, depois das primeiras introduções no Médio Oriente e na Ásia Central. Lothar Schupet, responsável interino pelas operações europeias da marca, afirma que o retorno de concessionários e clientes tem sido claro quanto à necessidade destes modelos no mercado europeu.Atualmente, a marca do grupo Geely vende em Portugal quatro modelos totalmente elétricos, incluindo os SUV X e 7X, a carrinha 7GT e o 001. A decisão final sobre a ofensiva híbrida deverá chegar nos próximos dois meses, o que pode abrir caminho à divulgação de preços e disponibilidade no mercado português antes do final do verão.
Os novos 9X e 8X usam um motor a gasolina 2.0 turbo como gerador para carregar baterias de elevada capacidade, mantendo a condução em modo elétrico como prioridade. Esta configuração aproxima-se dos elétricos de autonomia alargada e responde à procura de condutores que querem mobilidade elétrica no dia a dia sem abdicar de viagens longas.
O Zeekr 9X, revelado em 2025, é um SUV de luxo de seis lugares com até 1.250 km de autonomia combinada e potências entre 890 e 1.380 cv. O 8X, apresentado em janeiro de 2026, surge como alternativa ligeiramente mais compacta, com autonomia combinada até 1.049 km e uma versão de topo com 1.400 cv; ambos suportam carregamento ultrarrápido superior a 400 kW.
Impacto fiscal e concorrência no mercado português
Para os condutores em Portugal, a entrada destes híbridos plug-in pode reduzir duas limitações persistentes, a ansiedade de autonomia em trajetos interurbanos e a cobertura ainda desigual de carregamento rápido fora dos principais corredores. Em zonas do interior e em regiões montanhosas do norte, modelos com mais de 1.000 km de autonomia combinada oferecem uma alternativa prática para quem não quer planear deslocações em função dos postos disponíveis.No plano fiscal, o enquadramento dependerá dos dados homologados de emissões e consumo que a marca ainda não publicou para a Europa. As revisões do ISV em 2026 e a futura norma Euro 6e-bis podem reduzir as vantagens tributárias dos híbridos plug-in com menor autonomia elétrica ou emissões mais elevadas, embora a autonomia elétrica potencialmente superior a 300 km em ciclo WLTP possa favorecer o posicionamento destes modelos.
O movimento da Zeekr insere-se numa ofensiva mais ampla das marcas chinesas no segmento PHEV europeu. Entre janeiro e maio de 2024, os híbridos plug-in representaram 9,7% das vendas na Europa, acima dos 8,3% do período homólogo, enquanto as marcas chinesas passaram a controlar 36% deste segmento, reforçando a pressão concorrencial sobre fabricantes europeus e contribuindo para maior difusão tecnológica e pressão descendente nos preços.
Para Portugal, a operação pode servir como teste relevante para a expansão no sul da Europa. O mercado nacional combina densidade urbana em Lisboa e Porto com utilização frequente em percursos longos e dispersos, um perfil que favorece propostas híbridas de grande autonomia e pode ajudar a Zeekr a consolidar presença para além dos veículos exclusivamente elétricos.
Na nossa publicação anterior, analisámos a subida da rentabilidade das empresas em Portugal para 9,5% no primeiro trimestre, num quadro de expansão de margens e maior solidez financeira, sobretudo nas PME. Também destacámos a descida do custo do financiamento e o aumento da cobertura de juros, fatores que tendem a apoiar o investimento e a atividade económica — um contexto relevante para avaliar decisões de entrada e posicionamento de novas ofertas no mercado português.
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