José Antonio  Gastelum

Portugal regista travão nas compras online extracomunitárias após nova taxa aduaneira

Portugal regista travão nas compras online extracomunitárias após nova taxa aduaneira
Compras online em queda

As novas regras aduaneiras da União Europeia para compras online até 150 euros fora do bloco já estão a influenciar o consumo em Portugal. Entre os leitores do Negócios que responderam a uma sondagem no canal de WhatsApp, 68% dizem que vão comprar menos em plataformas como Shein, Temu ou AliExpress.

Destaques

  • Desde 1 de julho, as compras online até 150 euros fora da UE perdem isenção aduaneira e passam a pagar uma taxa de três euros por categoria de produto.
  • A UE importou cerca de 5,9 mil milhões de produtos abaixo de 150 euros em 2025, 90% provenientes da China, com CTT a distribuir 45% destas compras em Portugal.
  • A nova taxa pretende proteger o retalho europeu e pode causar queda temporária na procura por plataformas extracomunitárias e maior complexidade no desalfandegamento até 2028.

Novas regras elevam custos nas encomendas

Como noticiou o Jornal de Negócios, as compras até 150 euros vindas de fora da União Europeia deixam de beneficiar de isenção de direitos aduaneiros desde 1 de julho e passam a pagar uma taxa de três euros por categoria de produto.

A medida aplica-se num contexto de forte volume de importações de baixo valor. Em 2025, a UE importou cerca de 5,9 mil milhões de produtos abaixo de 150 euros, o equivalente a 16 milhões de encomendas por dia, sendo que nove em cada 10 vieram da China.

Os CTT, responsáveis pela distribuição de 45% das compras online feitas em Portugal, alertam que o fim da isenção implica mudanças nos processos de compra nos marketplaces e pode gerar temporariamente maior complexidade no desalfandegamento. A taxa tem caráter temporário e vigora por dois anos, como solução transitória até à criação do Centro de Dados Aduaneiros da UE em 2028, no âmbito da reforma aduaneira europeia.

Retalho europeu procura equilíbrio competitivo

O objetivo da nova taxa passa por proteger a competitividade das empresas europeias, aproximando as condições entre o retalho tradicional e o comércio eletrónico em encomendas de baixo valor provenientes de fora da UE.

Na sondagem feita junto dos subscritores do canal de WhatsApp do Negócios, 26% dos leitores respondem que vão manter os mesmos hábitos de consumo, enquanto 6% afirmam que vão comprar mais apesar das novas regras. Os resultados sugerem um possível abrandamento da procura por plataformas extracomunitárias no mercado português, numa fase de adaptação operacional para consumidores, operadores logísticos e vendedores.

A entrada da corretora Trade Nation no mercado europeu com licença portuguesa foi um tema que já acompanhámos, após a autorização da CMVM para operar e oferecer CFDs a investidores em toda a União Europeia via passaporte comunitário. Na altura, destacámos que a expansão vinha acompanhada de avisos sobre o elevado risco destes instrumentos e de uma reorganização interna, incluindo a integração da plataforma TD365 na marca principal em 2026.

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