Exportadores portugueses reduzem presença em Angola enquanto vendas ficam mais concentradas
A presença das empresas portuguesas no mercado angolano encolhe desde 2021, mesmo com o valor total das exportações a aumentar no período. A mudança indica uma maior concentração das vendas em grupos exportadores de maior dimensão e agrava a exposição das empresas que dependem de um único destino.
Destaques
- Entre 2021 e 2025, o número de exportadores portugueses para Angola caiu 16,9% para 3.512, mas o valor exportado subiu 14,6% para 1,09 mil milhões de euros.
- Em 2025, 200 empresas concentram 72% das exportações portuguesas para Angola, enquanto Angola desce do quinto para o sétimo destino dos exportadores nacionais.
- Entre janeiro e abril de 2026, as exportações portuguesas para Angola cresceram 9% para 361,4 milhões de euros, enquanto as importações caíram 83,2% para 13,9 milhões de euros.
Concentração das exportações e mudança do mercado
Como noticiou o The Portugal Post, 713 empresas portuguesas deixaram de exportar para Angola entre 2021 e 2025, fazendo cair o número total de exportadores de 4.225 para 3.512. Apesar dessa redução de 16,9%, o valor das exportações portuguesas para o mercado angolano sobe 14,6% no mesmo intervalo, para 1,09 mil milhões de euros em 2025.Os dados mostram um mercado mais concentrado. Apenas 200 empresas controlam 72% das vendas totais para Angola em 2025, incluindo 11 grupos que representam 24,4% do total exportado, enquanto 2.950 exportadores, ou 84% dos participantes, ficam com 26,7% da receita.
Angola também perde peso relativo entre os destinos das empresas portuguesas, descendo do quinto para o sétimo lugar entre 2021 e 2025. O mercado passa a representar 16,3% das empresas exportadoras nacionais, abaixo dos 18,8% registados em 2021.
Impacto setorial e resposta institucional
Em 2025, as máquinas e equipamentos lideram as exportações para Angola com 319,2 milhões de euros, seguidas pelos produtos químicos com 137,5 milhões, pelos produtos alimentares com 119,6 milhões e pelos metais de base com 111,9 milhões. As vendas de vinho atingem 53,7 milhões de euros e os produtos farmacêuticos somam 51,5 milhões.Do lado das importações, Portugal compra sobretudo combustíveis minerais, que representam 83,1% do total importado de Angola, ou 194,1 milhões de euros, quase todos em petróleo bruto. A balança comercial bilateral favorece Portugal, com um excedente de 857,2 milhões de euros.
Os dados preliminares de janeiro a abril de 2026 apontam para uma subida de 9% das exportações portuguesas, para 361,4 milhões de euros, impulsionada por máquinas, produtos químicos e alimentos. No mesmo período, as importações provenientes de Angola caem 83,2%, para 13,9 milhões de euros, sem registo de compras de combustíveis até abril.
Perante este enquadramento, o Banco Português de Fomento gere linhas de crédito dirigidas às empresas que vendem para Angola, numa tentativa de mitigar riscos de pagamento e de moeda. A AICEP defende também a diversificação geográfica das empresas mais expostas ao mercado angolano, apontando alternativas como Brasil, Cabo Verde e outras economias lusófonas.
No nosso artigo anterior sobre o investimento direto entre Portugal e Angola, destacámos a inversão do equilíbrio: o stock angolano em Portugal atingiu 4.525,7 milhões de euros no final de 2025, quase o dobro do investimento português em Angola. Explicámos ainda que o saldo bilateral passou de superavit em 2021 para défice em 2025 e que, em paralelo, as receitas turísticas provenientes de Angola recuaram, enquanto as despesas de portugueses em Angola aumentaram.
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