Portugal acompanha inflação, crédito e produção industrial num dia-chave para mercados e empresas
O fecho da semana em Portugal concentra novos dados sobre inflação, crédito, depósitos e produção industrial, ao mesmo tempo que o mercado reage a resultados empresariais em Lisboa e nos U.S.. A agenda inclui indicadores de julho e de junho de 2026, num contexto de pressão energética após a nova subida do petróleo com o fim do cessar-fogo entre os U.S. e o Irão.
Destaques
- A inflação de julho em Portugal e Zona Euro pode refletir o impacto da alta recente do petróleo após término do cessar-fogo entre U.S. e Irão.
- Banco de Portugal divulga hoje dados sobre taxas de juro e crédito relativos a junho, com a taxa média dos depósitos a prazo de particulares em maio a subir para 1,48%.
- REN reportou lucro semestral de €93,4 milhões (+42,1%) e Semapa apresenta resultados após primeiro trimestre de €513,3 milhões impulsionados por venda da Secil.
Agenda económica e monetária desta sexta-feira
Como avançou o Jornal de Negócios, a inflação de julho em Portugal e nos países da Zona Euro está no centro da sessão, depois de em junho a taxa ter abrandado para 2,8% no conjunto da área da moeda única e para 3,2% em Portugal. Os números agora esperados poderão refletir o impacto da nova subida do petróleo, após o fim do cessar-fogo entre os U.S. e o Irão, depois de o alívio anterior ter sido apoiado pela descida dos preços dos combustíveis.Também nesta sexta-feira, o Banco de Portugal divulga a nota de informação estatística sobre taxas de juro e montantes de novos empréstimos e depósitos referente a junho de 2026. Em maio, a taxa de juro média dos novos depósitos a prazo de particulares subiu pelo quarto mês consecutivo, para 1,48%, enquanto a taxa média das novas operações de crédito à habitação aumentou para 2,89%.
O Instituto Nacional de Estatística publica ainda o Índice de Produção Industrial de junho. Em maio, o indicador registou uma quebra homóloga de 2,3%, pressionado sobretudo pelo agrupamento de energia, com recuo de 9,7%, e pelos bens de consumo, com descida de 2,9%, embora em termos mensais tenha avançado 0,9%.
Resultados empresariais e impacto setorial
A temporada de contas continua a influenciar o sentimento do mercado, com a REN a ter divulgado na quinta-feira um lucro de 93,4 milhões de euros no primeiro semestre, mais 42,1% face ao mesmo período de 2025. A Semapa apresenta esta sexta-feira os resultados do primeiro semestre, depois de no primeiro trimestre ter reportado um resultado líquido de 513,3 milhões de euros, incluindo o contributo da venda da Secil.Sem o efeito da mais-valia provisória associada à alienação da cimenteira, o lucro trimestral da Semapa teria sido de 31 milhões de euros, menos 8,6 milhões do que no período homólogo de 2025. Fora de Portugal, Apple e Amazon também divulgam resultados nos U.S., com a fabricante do iPhone a superar expectativas apesar da fraqueza nas receitas da China e dos serviços, e a Amazon a bater previsões impulsionada pela unidade de cloud AWS.
O conjunto destes dados e resultados oferece sinais relevantes para energia, banca, indústria e consumo, setores sensíveis à evolução dos preços, do custo do crédito e da procura. Para Portugal, a leitura combinada da inflação, da atividade industrial e das contas empresariais ajuda a medir a resistência da economia num quadro externo ainda marcado por volatilidade energética.
Na nossa publicação anterior sobre o desempenho do PSI na bolsa de Lisboa, explicámos que o índice terminou ligeiramente positivo, beneficiando de um alívio temporário no risco geopolítico e do impulso da época de resultados. Também destacámos a liderança do setor do papel, enquanto quedas em títulos como BCP e Galp limitaram a subida, num contexto em que investidores acompanhavam de perto bancos centrais, grandes tecnológicas e o petróleo.
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