Mercados acompanham varejo, leilões e sinais para juros antes de decisões no Brasil e nos Estados Unidos
Na véspera da super quarta, investidores monitoram uma série de indicadores econômicos e operações de dívida pública que podem influenciar as expectativas para os juros no Brasil e nos Estados Unidos. O foco recai sobre os dados de vendas no varejo de julho, a agenda internacional de inflação e emprego e o comportamento dos títulos públicos em um dia de maior cautela.
Destaques
- IBGE divulga às 9h dados de vendas do varejo brasileiro de julho, após alta de 0,5% em junho e 2,9% anual, influenciando expectativas para o Copom.
- Tesouro Nacional realiza às 11h30 leilão de LFT e NTN-B, monitorado como termômetro da demanda por títulos públicos em ambiente de cautela doméstica.
- Decisões de juros do Federal Reserve e Banco Central do Brasil serão anunciadas na quarta-feira e concentram atenções globais junto aos leilões de títulos nos EUA.
Indicadores e leilões orientam a sessão
Como informou a Exame Mercados, a agenda desta terça-feira concentra dados capazes de oferecer pistas sobre a atividade econômica e a trajetória da inflação antes das decisões de política monetária previstas para quarta-feira.No Brasil, o principal destaque do dia é a divulgação, às 9h, das vendas no varejo de julho pelo IBGE. O dado ajuda a medir a força do consumo em um momento em que o mercado se posiciona para a decisão do Copom. Em junho, as vendas cresceram 0,5% na comparação mensal e 2,9% ante o mesmo mês do ano anterior.
O IBGE também apresenta o varejo ampliado, que inclui segmentos como veículos e material de construção. Em junho, esse indicador recuou 1% na margem, mas acumulou alta de 4,9% em 12 meses. Ainda pela manhã, o instituto divulga dados das pesquisas trimestrais de abate de animais e a estimativa de produção agrícola de agosto, após o levantamento anterior apontar produção de 353 milhões de toneladas.
No mercado de renda fixa, o Tesouro realiza às 11h30 leilão de LFT e NTN-B. A operação entra no radar dos investidores por servir como termômetro da demanda por papéis públicos em um ambiente de cautela doméstica.
Agenda externa e expectativa para bancos centrais
No exterior, os mercados iniciam o dia com a divulgação, no Reino Unido, dos dados de desemprego de julho e de salários médios no trimestre. Em junho, a taxa de desemprego estava em 4,9%, enquanto os salários médios avançaram 4,1% na comparação anual com bônus e 3,5% sem eles.Na Europa, a agenda inclui as leituras finais da inflação de agosto na França e na Espanha, além da balança comercial de julho da zona do euro, divulgada pela Eurostat às 6h. Em junho, o bloco registrou superávit de 8,6 bilhões de euros, enquanto a expectativa é de saldo positivo de 3,7 bilhões de euros.
Esse conjunto de indicadores chega em um momento de atenção reforçada à política monetária. Na quarta-feira, o Federal Reserve e o Banco Central do Brasil anunciam suas decisões sobre juros, o que transforma a sessão em uma das mais acompanhadas da semana. Nos Estados Unidos, o Tesouro também realiza às 14h um leilão de títulos de 20 anos, visto como mais um sinal sobre a demanda dos investidores por dívida americana em meio às expectativas para os próximos passos dos juros.
Na nossa publicação anterior sobre a deflação do IPCA de agosto, detalhamos a queda de 0,32% do índice, influenciada principalmente pelo recuo da energia elétrica residencial após o bônus de Itaipu, além do alívio em alimentos. Também observamos que, embora o dado tenha reforçado apostas de cortes da Selic pelo Copom, seguem no radar riscos para a inflação nos próximos meses, como a dinâmica de serviços e fatores como câmbio, petróleo e clima.
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