B3 inicia operação assistida da duplicata escritural no mercado de crédito brasileiro
A modernização da infraestrutura de crédito no Brasil avança com o início da fase de produção assistida da duplicata escritural pela B3. A etapa permite a convivência temporária entre os regimes escritural e cartular, com adesão voluntária de empresas emissoras e financiadores antes da obrigatoriedade regulatória.
Destaques
- B3 iniciou hoje a produção assistida da duplicata escritural, após autorização do Banco Central e conclusão de testes integrados com outras escrituradoras.
- B3 agora atua como escrituradora e registradora da duplicata escritural, integrando infraestrutura a ERPs, plataformas de crédito e suporte técnico especializado.
- A implementação obrigatória será escalonada: grandes empresas em julho de 2027, médias em janeiro de 2028 e pequenas em julho de 2028.
Entrada em operação do novo ecossistema
Conforme comunicado da B3, a bolsa do Brasil começa hoje a fase de produção assistida da duplicata escritural após receber autorização do Banco Central para atuar como escrituradora e concluir os testes individuais e integrados com as demais escrituradoras e registradoras do primeiro ciclo do projeto.Neste ambiente controlado, empresas e financiadores podem negociar duplicatas escriturais em condições reais de mercado, testar processos, fazer ajustes operacionais e preparar a adoção definitiva do modelo. A B3, que já lidera o registro de duplicata mercantil, passa a acumular as funções de escrituradora e registradora da duplicata escritural, com infraestrutura conectada a ERPs e plataformas de crédito, além de suporte técnico especializado, governança de dados e integração com outros participantes do ecossistema.
Roberta Fortunato, superintendente de Duplicata Escritural da B3, afirma que a companhia desenvolve iniciativas para ampliar a proposta de valor da duplicata além das exigências regulatórias, com investimentos em inteligência de dados, indicadores, análises e ferramentas voltadas à segurança e à tomada de decisão.
Preparação das empresas para cronograma regulatório
A adesão antecipada permite que empresas e financiadores se adaptem gradualmente ao novo modelo, com tempo para testar fluxos internos, treinar equipas e executar integrações tecnológicas antes da entrada em vigor das regras obrigatórias. Segundo a B3, esse período pode reduzir riscos ligados a adaptações de última hora, como sobrecarga de projetos internos, custos adicionais e dificuldades de integração.A implementação obrigatória da duplicata escritural ocorre de forma escalonada, com previsão de início para grandes empresas em julho de 2027, para médias empresas em janeiro de 2028 e para pequenas empresas em julho de 2028. Para a B3, as empresas que entrarem antes no ecossistema tendem a chegar à fase obrigatória com processos mais maduros, maior familiaridade operacional e vantagem competitiva no mercado de crédito.
Na nossa publicação, acompanhámos os dados que mostram o agravamento dos atrasos de pagamento a fornecedores em Portugal, com uma percentagem reduzida de empresas a cumprir os prazos acordados e um desvio crescente face à média da União Europeia. Também destacámos o aumento do número de empresas com risco de atrasos superiores a 90 dias e as diferenças entre setores e dimensões, sinalizando maior pressão sobre a tesouraria e o acesso a financiamento no tecido empresarial.
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