Portugal agrava atraso nos pagamentos a fornecedores e fica no penúltimo lugar entre 37 países
As empresas portuguesas continuam a revelar um fraco desempenho no cumprimento de prazos de pagamento a fornecedores, num quadro que afasta o país da média europeia. Em maio, apenas 20,2% das empresas pagam dentro do prazo acordado e o diferencial face à União Europeia atinge 32 pontos percentuais no final de 2025.
Destaques
- Portugal ocupa a penúltima posição entre 37 países em atraso nos pagamentos a fornecedores em dezembro de 2025, segundo a Informa D&B.
- Apenas 23% das empresas portuguesas cumprem prazos, ficando 32 pontos percentuais abaixo da média europeia, o maior desvio já registado.
- Cerca de 66 mil empresas portuguesas, representando 12% do total, apresentam risco de atrasos superiores a 90 dias, agravando-se face às 43 mil do ano anterior.
Estudo de maio mostra deterioração no cumprimento
Como noticiou o Jornal de Negócios, com base num estudo divulgado pela Informa D&B esta quarta-feira, Portugal surge na penúltima posição entre 37 países analisados no relatório internacional relativo a dezembro de 2025, ficando apenas acima da Bulgária.De acordo com a 12.ª edição do estudo sobre o comportamento de pagamento das empresas em Portugal, relativo a maio, 65,2% das empresas pagam com atraso até 30 dias, 9% atrasam-se entre 30 e 90 dias e 5,6% demoram mais de 90 dias a regularizar os pagamentos. A Informa D&B sublinha que Portugal se está a afastar da média da União Europeia neste indicador.
Depois da transposição da Diretiva Europeia de Pagamentos em 2013, a percentagem de empresas cumpridoras na União Europeia sobe para 52% no final de 2025. Essa evolução deixa Portugal com uma diferença de 32 pontos percentuais face à média europeia, a maior de sempre.
Setores e risco agravam pressão no tecido empresarial
Por setores, o comércio grossista apresenta o menor atraso médio, de 19 dias, enquanto o alojamento e restauração regista o maior atraso médio, de 30 dias. Este último é também o setor com a menor percentagem de empresas cumpridoras, com apenas 11%.O estudo indica ainda que as grandes empresas são as que menos cumprem os prazos, com apenas 4% a pagar dentro do tempo acordado. Ainda assim, este grupo apresenta menor incidência de atrasos significativos, o que sugere um comportamento de pagamento mais previsível e menor risco de incumprimento grave.
Segundo o indicador de Risco Delinquency da Informa D&B, cerca de 66 mil empresas, equivalentes a 12% do tecido empresarial, apresentam risco de registar atrasos superiores a 90 dias junto de pelo menos um credor. O número aumenta face ao ano anterior, quando eram identificadas 43 mil empresas nessa situação. O universo analisado inclui empresas ativas em 05 de maio de 2026 com indicador de pagamentos, sendo o Paydex o indicador estatístico utilizado pela Dun & Bradstreet para medir o número médio de dias de atraso face aos prazos acordados com fornecedores.
Na nossa publicação, analisámos a reprogramação do Portugal 2030 para reforçar o apoio à transformação industrial, com foco em tecnologia e descarbonização, após duas revisões desde 2023 e o redirecionamento de 2,5 mil milhões de euros para novas prioridades. No mesmo contexto, destacámos também indicadores recentes de inovação em Portugal, que apontam para uma queda na proporção de empresas inovadoras e a permanência do país no grupo dos “inovadores moderados” na UE, evidenciando desafios de investimento, produtividade e competitividade.
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