BCE enfrenta decisão de taxa mais difícil à medida que conflito no Oriente Médio eleva preços do petróleo
O novo conflito entre os EUA e o Irã colocou o petróleo novamente no centro do debate sobre a inflação na Europa. O momento é difícil para o Banco Central Europeu, que se reúne na próxima semana com os mercados não mais totalmente convencidos de que ele poderá manter as taxas inalteradas.
Destaques
- A taxa de depósito do BCE é agora de 2,25%.
- Mercados veem cerca de 20% de chance de alta em julho.
- Custos de energia subiram 8,7% em termos anuais.
Este artigo foi traduzido do original. Leia a versão original do nosso correspondente aqui.
Investidores estavam reavaliando a decisão de 22 de julho após o petróleo Brent subir novamente acima de US$ 85 por barril. O movimento seguiu-se a vários dias de ataques ligados ao Estreito de Ormuz, uma rota crítica para os embarques globais de petróleo, informou a CNBC.
Choque do petróleo complica decisão do BCE
O presidente do Bundesbank, Joachim Nagel, um dos formuladores de taxas do BCE, disse que o renovado conflito no Oriente Médio e a alta nos preços do petróleo mostraram que a perspectiva permanece “extremamente volátil”. Ele afirmou que a política deve permanecer cautelosa, mas que as autoridades devem estar prontas para agir decisivamente se necessário.
O BCE já mudou de direção este ano. Ele cortou as taxas de juros quatro vezes no primeiro semestre de 2025, reduzindo a taxa de depósito de 3% para 2% até meados de junho. Mas no mês passado elevou as taxas em 25 pontos-base, elevando a taxa de depósito para 2,25%, após o retorno da pressão inflacionária.
Antes da última escalada, a inflação global estava próxima da meta de 2% do BCE. Posteriormente, atingiu 3,2% em maio, antes de recuar para 2,8% no mês passado. Os custos de energia ainda subiram 8,7% em termos anuais, enquanto o núcleo da inflação limitou-se a 2,4%, sugerindo que os efeitos secundários mais amplos permaneceram contidos até agora.
Mercados precificam mais incerteza
O problema para os formuladores de política é que a próxima decisão virá antes de novos dados. Os números iniciais do PIB do segundo trimestre devem sair em 30 de julho, enquanto os dados de inflação de julho chegarão em 31 de julho.
Isso deixa o BCE tomando sua decisão sem a leitura mais recente sobre crescimento ou preços. Os rendimentos dos títulos da zona do euro já subiram, com o rendimento do Bund alemão de 10 anos em 3,1046% na quarta-feira.
Os mercados ainda apontam para apenas cerca de 20% de chance de um aumento de taxa na próxima semana. Mas os investidores esperam dois aumentos adicionais de 25 pontos-base até a próxima primavera, o que elevaria a taxa de depósito para 2,75%.
Risco energético encontra crescimento fraco
O choque do petróleo é importante porque a zona do euro continua altamente exposta à energia importada. O bloco importou 57% de suas necessidades energéticas em 2024, tornando os preços mais altos do petróleo um risco direto para a inflação, a indústria e os gastos das famílias.
Ao mesmo tempo, uma postura política mais rígida poderia aprofundar a fraqueza econômica. A economia da zona do euro contraiu 0,2% em termos anuais no primeiro trimestre de 2026. Isso deixa o BCE equilibrando dois riscos: permitir que os custos de energia mais altos alimentem as expectativas de inflação ou aumentar as taxas em uma economia frágil.
Como relatamos anteriormente, Christine Lagarde pode deixar o BCE antes do esperado.
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