Coimbra adia concurso da nova maternidade apesar de investimento superior a 55 milhões de euros
O avanço da maternidade centralizada de Coimbra continua dependente de passos administrativos, apesar de o Governo manter a expectativa de iniciar o projeto em 2026. A nova unidade deverá substituir duas maternidades envelhecidas e concentrar serviços obstétricos e neonatais no perímetro dos Hospitais da Universidade de Coimbra.
Destaques
- O lançamento do concurso público para a nova maternidade de Coimbra, com investimento total superior a 55 milhões de euros, continua sem data definida.
- O Orçamento do Estado para 2025 prevê 45 milhões de euros, abaixo das estimativas atuais, enquanto o processo aguarda autorizações para despesa plurianual e faseamento orçamental.
- O adiamento prolonga a dependência das maternidades Daniel de Matos e Bissaya Barreto, mantendo pressão sobre infraestruturas antigas e incerteza operacional para profissionais e utentes da região Centro.
Concurso público continua sem data definida
A ThePortugalPost, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, afirma em Coimbra que a nova maternidade avança "muito em breve", mas sem fixar uma data para o lançamento do concurso público. A governante justifica a ausência de calendário com procedimentos ainda por fechar, incluindo o faseamento orçamental e as autorizações para despesa plurianual.O Orçamento do Estado para 2025 reserva 45 milhões de euros para a construção, enquanto as estimativas mais recentes apontam para um custo total acima de 55 milhões de euros, com IVA incluído. A Unidade Local de Saúde de Coimbra já submeteu o processo à Entidade Orçamental, num passo obrigatório antes da emissão da portaria que permite formalizar compromissos financeiros de vários anos e contratar a empreitada.
O projeto acumula sucessivos derrapagens desde 2021. Depois de uma meta inicial de abertura em 2024 e de previsões posteriores para lançar o concurso em 2024 e no início de 2025, a nova indicação oficial resume-se agora a um arranque ainda este ano, sem mês anunciado.
Impacto regional e reorganização dos cuidados maternos
Quando entrar em funcionamento, a nova infraestrutura ficará instalada num edifício próprio no campus dos Hospitais da Universidade de Coimbra e deverá reunir serviços hoje dispersos. O plano inclui 26 camas de cuidados intensivos neonatais com espaço para permanência noturna dos pais, salas de parto modernizadas, consultas pré e pós-natais no mesmo local e urgência obstétrica integrada 24 horas por dia.A consolidação substitui as maternidades Daniel de Matos e Bissaya Barreto, que continuam em atividade sob pressão de infraestruturas antigas, limitações de espaço e constrangimentos operacionais. Para as famílias da região Centro, a indefinição prolonga a dependência de unidades desatualizadas, enquanto os profissionais de saúde mantêm incerteza sobre calendários de trabalho e transição de serviços.
O projeto insere-se numa reorganização mais ampla das maternidades em Portugal, centrada na concentração de recursos em unidades de maior dimensão e maior volume clínico. Persistem, contudo, dúvidas sobre acessibilidade ao perímetro dos HUC, marcado por congestionamento e escassez de estacionamento, num contexto em que ainda não foi divulgado um plano detalhado de mobilidade para a futura unidade.
Na nossa publicação anterior sobre o reforço da atividade do Tribunal de Contas em 2025, destacámos o aumento da fiscalização e do tratamento de queixas, exposições e denúncias, com foco nas falhas na contratação pública. O relatório salientou que entre as irregularidades mais comuns estão o recurso indevido ao ajuste direto e outras violações das regras de despesa, reforçando a pressão por maior controlo na gestão de fundos públicos.
Últimas notícias Portugal
- Forex
- Crypto