União Europeia reforça apoio financeiro à recuperação do sismo na Venezuela
Três semanas após os sismos que atingem a Venezuela, a resposta europeia ganha nova dimensão com mais 20 milhões de euros em ajuda humanitária. O reforço eleva o apoio total da União Europeia para 77 milhões de euros, num momento em que Portugal mantém papel central nas operações de resgate e no apoio às famílias afetadas.
Destaques
- O reforço da Comissão Europeia compromete mais 20 milhões de euros à recuperação do sismo na Venezuela, sendo 10 milhões imediatamente disponíveis.
- O sismo de 24 de junho causou 4.734 mortes, 16.740 feridos e destruiu mais de 250 estruturas, mobilizando 750 especialistas de 18 países pelo Mecanismo de Proteção Civil da UE.
- Grande Missão Venezuela Renasce dispõe de um fundo de reconstrução de 200 milhões de dólares, mas ONU estima perdas diretas de 6,7 mil milhões e custos totais acima de 104 mil milhões.
Reforço europeu amplia resposta humanitária
Como noticiou o The Portugal Post, a Comissão Europeia compromete mais 20 milhões de euros para a recuperação após o sismo na Venezuela, dos quais 10 milhões ficam disponíveis de imediato para bens de emergência e outros 10 milhões aguardam aprovação orçamental para operações especializadas de busca e salvamento que ainda decorrem.A visita da comissária europeia para a Gestão de Crises, Hadja Lahbib, a Caracas acompanha este reforço financeiro e serve para avaliar os trabalhos de reconstrução, reunir-se com parceiros humanitários financiados pela UE e coordenar a atuação com equipas de emergência no terreno. Em comunicado, Lahbib afirma que o novo financiamento ajuda a entregar alimentos, água potável, medicamentos, abrigo e outra assistência vital às famílias afetadas.
Desde os abalos de 24 de junho, de magnitude 7,2 e 7,5 com 60 segundos de intervalo, o número de mortos sobe para 4.734, face aos 4.561 registados dias antes, segundo Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela. As autoridades também contabilizam 16.740 feridos, 17.907 deslocados e mais de 250 estruturas totalmente colapsadas, incluindo 190 edifícios em La Guaira, uma das zonas mais atingidas.
A operação europeia mobiliza cerca de 750 especialistas de 18 Estados-membros através do Mecanismo de Proteção Civil da UE. Os meios enviados incluem equipas de busca e salvamento, unidades médicas, abrigos de emergência, telecomunicações por satélite e mapeamento de emergência pelo serviço Copernicus, além de duas pontes aéreas humanitárias que transportam cerca de 80 toneladas de mantimentos e equipamento médico.
Impacto para Portugal e desafios da reconstrução
Portugal destaca-se entre os países europeus envolvidos na resposta, com o destacamento de 50 a 62 operacionais da Força Operacional Conjunta, reunindo elementos da ANEPC, do Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa, do INEM e da GNR, além de cães treinados para busca e resgate. A equipa portuguesa ganha projeção internacional ao resgatar Hernán Gil Flores dos escombros em Catia La Mar sete dias após os primeiros abalos, numa operação que outras equipas tinham considerado demasiado complexa.O Ministério dos Negócios Estrangeiros indica que 117 cidadãos portugueses e lusodescendentes estão entre as vítimas mortais, incluindo 95 adultos e 22 menores, dos quais 100 tinham dupla nacionalidade venezuelana e portuguesa. O ministério continua a trabalhar com as autoridades locais na identificação das vítimas e no apoio consular às famílias, enquanto Lisboa avança para uma segunda fase de ajuda com o envio de entre 12 e 13,5 toneladas de materiais de higiene e saneamento, duas ambulâncias equipadas, ferramentas para remoção de detritos e 400 mil euros em apoio direto.
As autoridades venezuelanas lançam entretanto o programa Grande Missão Venezuela Renasce, apoiado por um fundo de reconstrução de 200 milhões de dólares, com prioridade para cerca de 25 mil novas habitações e subsídios financeiros temporários para famílias afetadas. Ainda assim, as estimativas preliminares da ONU apontam para perdas diretas de 6,7 mil milhões de dólares e custos totais de reconstrução acima de 104 mil milhões, enquanto os campos temporários sobrelotados e as falhas persistentes de eletricidade mantêm elevados os riscos sanitários e logísticos.
Na nossa publicação anterior sobre a reunião em Paris da “Coalition of the Willing”, detalhámos como 35 países avançaram numa nova fase de coordenação para apoiar a Ucrânia, incluindo prioridades como defesa aérea, treino e partilha de informação. O texto destacou ainda o papel de Portugal nesse esforço, com margem para contributos logísticos e industriais, e o enquadramento político-militar em discussão para uma futura força multinacional.
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