Banco de Portugal destaca conclusão da avaliação do FMI ao sistema financeiro português

Banco de Portugal destaca conclusão da avaliação do FMI ao sistema financeiro português
FMI avalia sistema financeiro

Portugal concluiu uma nova avaliação obrigatória ao seu sistema financeiro, num processo que decorre entre maio de 2025 e junho de 2026 e termina formalmente com a apreciação do relatório pelo conselho de administração do FMI em 17 de junho de 2026. O exercício abrange testes de esforço à banca e uma revisão alargada da supervisão, da cibersegurança, da prevenção do branqueamento de capitais e do quadro de gestão de crises.

Destaques

  • O relatório do FMI de 24 de junho conclui que o sistema financeiro português mantém estabilidade e resiliência, com bancos apresentando adequada capitalização, liquidez e rendibilidade.
  • O FMI destaca riscos ligados à exposição ao mercado imobiliário residencial, dívida soberana e contexto internacional incerto, recomendando acompanhamento e reforço de monitorização.
  • As recomendações incluem aprofundar a supervisão dos riscos sistémicos, melhorar políticas de recursos humanos e fortalecer o enquadramento legal da política macroprudencial e cibersegurança.

Conclusões do FSAP e áreas avaliadas

Como comunicado pelo Banco de Portugal, o relatório Portugal: Financial System Stability Assessment, publicado em 24 de junho pelo Fundo Monetário Internacional, conclui que o sistema financeiro português se mantém globalmente estável e resiliente. A avaliação integra o Programa de Avaliação do Setor Financeiro, aplicável a sistemas considerados de importância sistémica, categoria em que Portugal se enquadra atualmente.

O exercício inclui uma análise abrangente de riscos e vulnerabilidades do setor financeiro, incluindo testes de esforço aos bancos. Também avalia o enquadramento institucional do sistema, cobrindo a regulação e supervisão microprudencial, a política macroprudencial, a monitorização dos riscos de cibersegurança, a prevenção do branqueamento de capitais e do financiamento do terrorismo, a independência das autoridades do setor financeiro não bancário e o quadro de gestão de crises e garantia de depósitos.

Ao longo da avaliação, o FMI mantém discussões técnicas com o Ministério das Finanças, o Banco de Portugal, a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões e a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, além de outras entidades ligadas à cibersegurança e de instituições financeiras e associações do setor. Segundo as conclusões divulgadas, o setor bancário apresenta níveis adequados de capitalização, liquidez e rendibilidade, bem como capacidade para resistir a cenários macrofinanceiros adversos.

Riscos identificados e impacto para a supervisão

Apesar da apreciação globalmente positiva, o FMI identifica riscos e vulnerabilidades que requerem acompanhamento, em particular os associados à exposição ao mercado imobiliário residencial, à dívida soberana e ao impacto de um contexto internacional marcado por elevada incerteza. O organismo salienta ainda progressos na robustez da regulação e supervisão bancária, na eficácia da política macroprudencial e no reforço do quadro de gestão de crises.

Entre as recomendações dirigidas às autoridades portuguesas, destacam-se o aprofundamento da monitorização dos riscos sistémicos, a adoção de políticas eficazes de atração e retenção de colaboradores e o reforço do enquadramento legal da política macroprudencial. O FMI defende também melhorias incrementais na supervisão microprudencial, na cibersegurança e na gestão de crises.

O Banco de Portugal indica que estas recomendações serão consideradas nos seus trabalhos futuros para preservar a estabilidade financeira e reforçar a resiliência do sistema. O FMI acompanha agora o seguimento dado às conclusões do FSAP nas missões regulares de monitorização da economia portuguesa.

Na nossa publicação anterior sobre a criação de um fundo soberano português, explicámos que o Governo pretende concentrar e reforçar participações do Estado em empresas consideradas estratégicas, incluindo setores como energia, banca, comunicações e infraestruturas aeroportuárias. Destacámos que a medida visa aumentar a capacidade de intervenção pública em áreas sensíveis da economia, com potenciais implicações para a estabilidade e a resiliência do país.

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