A MARA Holdings considera vender Bitcoin em meio a perdas com mineração.

A MARA Holdings considera vender Bitcoin em meio a perdas com mineração.
MARA sinaliza mudança estratégica à medida que a mineração de BTC deixa de ser lucrativa

A MARA Holdings, a maior mineradora de Bitcoin de capital aberto e detentora corporativa de BTC, está mudando sua estratégia e considerando vender parte de suas reservas, dependendo das condições do mercado.

Destaques

  • A MARA pode vender reservas de Bitcoin dependendo das condições do mercado.
  • A empresa detém 52.850 BTC no valor de mais de US$ 3,6 bilhões.
  • Os custos de produção de mineração excedem o preço à vista do BTC, pressionando as margens.

Este artigo foi traduzido do original. Leia a versão original do nosso correspondente aqui.

A pressão de venda sobre o BTC está crescendo

A mineradora de criptomoedas MARA Holdings, sediada nos EUA, agitou o mercado de criptomoedas depois de declarar em um documento regulatório que pode revisar sua estratégia HODL de longa data. Em um documento arquivado na Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC), a MARA disse que pode vender partes de suas participações em Bitcoin "de tempos em tempos", dependendo das condições do mercado e das prioridades de investimento.

O documento afirma que, desde 2025, os acionistas da MARA autorizaram a venda do BTC extraído pela empresa. No entanto, em 2026, a política foi ampliada para permitir a venda de Bitcoin das reservas de tesouraria da empresa.

O anúncio despertou uma atenção significativa, pois a MARA lidera todas as mineradoras públicas por uma ampla margem em participações de BTC. De acordo com os dados da BITBO, a empresa detinha 52.850 BTC em 21 de janeiro de 2026. Ao preço atual de US$ 68.400, essas participações valem mais de US$ 3,6 bilhões. Seus concorrentes mais próximos detêm significativamente menos: A Riot possui 18.005 BTC, enquanto a Hut 8 Corp detém 13.696 BTC.

A Cointelegraph informou que a mudança estratégica da MARA ocorre em meio ao declínio das receitas e às perdas crescentes no setor de mineração de Bitcoin. Esta semana, a Riot relatou um prejuízo líquido de US $ 663 milhões em 2025, enquanto a Core Scientific anunciou uma queda de receita de 16% ano a ano no quarto trimestre.

O aumento dos custos de energia ligados às ações militares dos EUA e de Israel contra o Irã intensificaram ainda mais as preocupações com os preços da eletricidade e a pressão adicional sobre o Bitcoin. Como resultado, espera-se que muitas empresas de mineração que anteriormente se diversificaram em serviços de data center e infraestrutura de IA acelerem essa estratégia.

"As empresas que mineram Bitcoin não querem mais mantê-lo. A empresa que detém a maior quantidade de Bitcoin (Michael Saylor's Strategy) nunca minerou um único satoshi. Pela primeira vez nos dezesseis anos de história desse ativo, a produção e a acumulação divergiram totalmente", comentou o analista Shanaka Anselm Perera.

Ele acrescentou que a economia simples está forçando os mineradores a vender, já que o custo de produção de US$ 87.000 por moeda excede o preço à vista abaixo de US$ 69.000 - o que significa que cada bloco minerado gera uma perda.

Uma reinicialização forçada poderia fortalecer o mercado

O possível pivô da MARA pode sinalizar uma mudança estrutural no setor. Se a maior mineradora pública começar a tratar o BTC não como uma reserva estratégica, mas como um ativo líquido para a gestão do fluxo de caixa, isso poderá reformular a forma como os investidores avaliam os balanços patrimoniais das mineradoras.

No curto prazo, tais movimentos podem aumentar a pressão de venda, já que as mineradoras são tradicionalmente vistas como detentoras naturais de longo prazo. Entretanto, em um horizonte mais longo, essa disciplina financeira poderia fortalecer o setor, reduzindo os encargos da dívida e diminuindo os riscos de falência durante mercados em baixa prolongados.

Além disso, as estratégias de venda flexíveis refletem o amadurecimento do setor de mineração. Após vários eventos de redução pela metade, a lucratividade se tornou extremamente dependente dos custos de eletricidade, da eficiência do hardware e da gestão financeira.

Nessas condições, as mineradoras estão evoluindo de participantes ideológicos de HODL para empresas operacionais de tecnologia de energia, em que o gerenciamento de liquidez e a diversificação de receita - incluindo a infraestrutura de IA - estão se tornando mais importantes do que simplesmente acumular BTC.

Conforme relatamos, a MARA adquire 64% da Exaion para expandir para IA e infraestrutura de nuvem

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