A caça aos donos de cripto: Por que os criminosos ficaram offline

A caça aos donos de cripto: Por que os criminosos ficaram offline
É perigoso possuir criptomoedas?

​Por anos, a segurança cripto significou proteger carteiras de hackers e ataques de phishing. Hoje, um número crescente de criminosos está ignorando totalmente a tecnologia e visando as pessoas que possuem ativos digitais. À medida que a criptomoeda se torna mais popular, manter a riqueza privada pode ser tão importante quanto mantê-la segura.

Este artigo foi traduzido do original. Leia a versão original do nosso correspondente aqui.

O elo mais fraco mudou

Ataques físicos visando detentores de criptomoedas aumentaram drasticamente no primeiro semestre de 2026, de acordo com um novo relatório da empresa de segurança cibernética CertiK. A empresa documentou 52 casos dos chamados ataques de chave inglesa contra detentores de cripto, um aumento de 33% em relação ao mesmo período do ano anterior. As perdas financeiras relatadas atingiram US$ 124,1 milhões, em comparação com US$ 10,5 milhões no primeiro semestre de 2025.

Ao contrário dos ataques cibernéticos tradicionais, os ataques de chave inglesa dependem de intimidação em vez de habilidade técnica. As vítimas podem ser ameaçadas, agredidas, sequestradas ou forçadas a desbloquear dispositivos e autorizar transferências de criptomoedas.

Os números abrangem apenas casos documentados publicamente, portanto, é improvável que reflitam todos os incidentes em todo o mundo. No entanto, os incidentes em si não são novos. Pesquisadores de segurança vêm documentando ataques físicos contra detentores de criptomoedas há anos.

Não é um problema novo

Por anos, o pesquisador de segurança e cofundador da Casa, Jameson Lopp, manteve um banco de dados público documentando sequestros, roubos, invasões domiciliares e tentativas de extorsão envolvendo proprietários de criptomoedas em todo o mundo.

O banco de dados sugere que esses incidentes permanecem relativamente raros em comparação com as centenas de milhões de pessoas que possuem ativos digitais. No entanto, Lopp observa que muitos ataques nunca são relatados publicamente, tornando sua verdadeira escala difícil de medir.

A tendência, no entanto, parece estar evoluindo. A CertiK descobriu que as invasões domiciliares representaram cerca de 41% dos ataques físicos registrados durante o primeiro semestre de 2026, enquanto a Europa registrou a maior concentração de casos. Somente a França contabilizou mais de 30 incidentes registrados, levando as autoridades a reforçar as medidas de segurança para empreendedores de cripto após vários sequestros de alto perfil.

Por que atacar pessoas em vez de carteiras?

A segurança cripto moderna tornou-se muito mais difícil de derrotar. Carteiras de hardware, proteção multiassinatura, melhores soluções de custódia e segurança de exchange mais forte reduziram significativamente muitas das vulnerabilidades técnicas que dominaram os primeiros anos da indústria.

Isso pode estar mudando os cálculos dos criminosos. Em vez de tentar invadir sistemas cada vez mais bem protegidos, os invasores podem achar mais fácil pressionar a pessoa que controla as chaves privadas.

“À medida que a segurança dos protocolos e das carteiras tende a melhorar, a ameaça migra para o elo humano”, escreveram os pesquisadores da CertiK em seu relatório.

A economia de tais ataques é relativamente direta. Ao contrário do dinheiro mantido em uma conta bancária, a criptomoeda geralmente pode ser transferida imediatamente por alguém que controla as chaves privadas. Uma vez que uma transação de blockchain é confirmada, revertê-la é geralmente impossível.

“Grupos criminosos que já se sentem confortáveis em usar a violência para atingir seus objetivos sempre tenderiam a migrar para a cripto”, disse Phil Ariss, Diretor de Relações com o Setor Público do Reino Unido na TRM Labs, à Associated Press.

Quem está realmente em risco?

Manchetes sobre sequestros e roubos violentos podem fazer com que a posse de cripto pareça excepcionalmente perigosa. As evidências disponíveis pintam um quadro mais matizado.

A maioria das vítimas relatadas foram executivos de exchanges, fundadores, investidores, traders ou indivíduos publicamente associados a uma riqueza digital substancial. Em alguns casos, criminosos visaram parentes por acreditarem que membros da família poderiam fornecer acesso às posses de criptomoedas.

A visibilidade pública parece ser um dos maiores fatores de risco. Endereços de carteira, postagens em redes sociais, entrevistas, participações em conferências ou vazamentos de dados podem ajudar a conectar ativos cripto significativos a uma identidade no mundo real.

Para o investidor médio, o risco permanece extremamente baixo. Com centenas de milhões de pessoas em todo o mundo possuindo criptomoedas, ataques físicos confirmados representam apenas uma fração minúscula dos usuários. No entanto, a probabilidade aumenta quando grandes posses tornam-se conhecidas publicamente.

Privacidade como parte da segurança

Durante anos, os conselhos de segurança focaram em carteiras de hardware, senhas fortes e proteção contra phishing. Essas medidas continuam essenciais, mas especialistas argumentam cada vez mais que a privacidade merece atenção igual.

Isso não significa desaparecer da internet. Em vez disso, significa evitar a divulgação pública de saldos de carteiras, lucros de negociação ou informações pessoais que vinculem ativos digitais a um endereço residencial ou rotina diária.

Profissionais de segurança também recomendam separar as posses de longo prazo das carteiras de gastos cotidianos, usar proteção multissig (multisignature) para saldos maiores e revisar regularmente quais informações pessoais estão disponíveis publicamente online.

O objetivo não é o sigilo pelo sigilo. É reduzir a quantidade de informações que poderiam tornar alguém um alvo atraente.

A segurança agora vai além da blockchain

Ataques físicos não significam que a criptomoeda se tornou exclusivamente perigosa. Indivíduos ricos há muito enfrentam riscos que variam de furtos a sequestros, independentemente de seus ativos serem mantidos em dinheiro, ouro ou ações de empresas.

O que mudou foi a forma como a riqueza digital é armazenada. A autocustódia dá aos investidores controle direto sobre seus ativos, mas também coloca mais responsabilidade sobre o proprietário. Proteger criptomoedas não se trata mais apenas de se defender contra hackers. Cada vez mais, significa também proteger a pessoa por trás da carteira.

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