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Mas guardámos tudo 🙂.
A Canary Capital entrou com um pedido na SEC para lançar um ETF à vista vinculado à memecoin PEPE. Para o mercado dos EUA, esse é um dos testes mais arriscados da nova onda de fundos de criptomoedas: depois do Bitcoin, Ether e altcoins maiores, o emissor agora está tentando trazer para a negociação em bolsa um produto baseado em um ativo cuja história foi construída quase que inteiramente com base na demanda especulativa e na cultura da Internet.
Este artigo foi traduzido do original. Leia a versão original do nosso correspondente aqui.
De acordo com o formulário S-1 apresentado em 8 de abril, o Canary PEPE ETF rastrearia o preço do token menos as despesas, com todo o PEPE do fundo mantido por um custodiante. O documento afirma que uma pequena parte dos ativos do fundo, até 5%, pode ser temporariamente mantida em ETH para cobrir taxas na rede Ethereum, já que o próprio PEPE é emitido como um token ERC-20.
De acordo com a Cointelegraph, em termos de estrutura, o registro segue o modelo já conhecido dos ETFs de criptomoedas: o fundo manteria o ativo subjacente com um custodiante, enquanto a criação e o resgate de ações ocorreriam em cestas de 10.000 ações. Mas, diferentemente dos fundos de Bitcoin ou Ether, esse produto está vinculado a uma memecoin cuja lógica de mercado está muito menos ligada a fatores fundamentais. O próprio prospecto adverte explicitamente que as ações do fundo são especulativas e que os investidores podem perder todo o seu investimento.
A Canary está entrando no mercado em um momento em que a própria PEPE está muito distante de seu entusiasmo anterior. De acordo com a CoinMarketCap, o token é negociado a cerca de US$ 0,000003, ocupa o 45º lugar em capitalização de mercado, com uma avaliação de cerca de US$ 1,44 bilhão, e permanece cerca de 85% abaixo de seu recorde histórico de US$ 0,00002368, alcançado em dezembro de 2024. Ao mesmo tempo, o número de detentores de PEPE ultrapassa 513.500.
Outro risco destacado pelo próprio emissor é a estrutura de propriedade do token. No registro, Canary diz que os 10 maiores endereços de carteira controlavam cerca de 41% da oferta circulante do PEPE. O documento observa que uma parte significativa desses endereços pode pertencer a bolsas centralizadas, mas, mesmo com essa ressalva, a concentração continua alta para um ativo que está sendo proposto na forma de ETF para investidores de mercado amplo.
O contexto mais amplo também não é totalmente favorável. A Canary já entrou com pedido de ETFs vinculados a XRP, Solana, Hedera, Sei e Mog Coin, apostando claramente em uma linha crescente de fundos de criptografia de nicho. Ainda assim, a experiência com ETFs baseados em memecoin ainda não pareceu especialmente convincente. De acordo com a Cointelegraph, a estreia do ETF Dogecoin da Grayscale em novembro de 2025 gerou apenas US$ 1,4 milhão em volume de negociação no primeiro dia, muito abaixo da previsão de US$ 12 milhões do analista da Bloomberg Eric Balchunas.
O registro da Canary é importante não apenas por si só, mas também como um indicador de até que ponto os emissores estão dispostos a empurrar o invólucro do ETF para tokens cada vez mais voláteis e fracamente institucionalizados. Se a SEC não bloquear essa rota antecipadamente, o mercado poderá entender isso como um sinal de que, depois do BTC e da ETH, as memecoins também poderão entrar gradualmente no universo de produtos regulamentados.
Mas, mesmo nesse caso, o sucesso do fundo está longe de ser garantido: ele exigirá não apenas a liberação regulatória, mas a demanda real dos investidores, e o exemplo da Dogecoin sugere que um ticker de alto perfil não se traduz automaticamente em um forte volume de negociação.
Em um relatório anterior, observamos que o Bitcoin se mantém próximo a US$ 71.000 com o fracasso do cessar-fogo no Irã.