Crédito no Brasil avança em setembro e estoque soma R$ 7,444 trilhões
A carteira de crédito do sistema financeiro brasileiro mantém expansão em setembro, com avanço mensal puxado sobretudo pelas operações com empresas e pelo crédito livre. No acumulado de 12 meses, o estoque cresce 8,6%, enquanto o crédito para habitação de pessoas físicas e o financiamento de veículos seguem entre os destaques.
Destaques
- O estoque total de crédito no sistema financeiro brasileiro avança 0,4% em setembro, atingindo R$ 7,444 trilhões, com alta anual de 8,6%.
- O crédito livre cresce 0,8% no mês, enquanto o direcionado permanece estável; saldo em habitação de pessoa física chega a R$ 1,443 trilhão, alta de 13,7% em 12 meses.
- O crédito para pessoas jurídicas com sede no exterior registra aumento mensal de 14,9%, totalizando R$ 8,939 bilhões e acumula crescimento anual de 46,1%.
Evolução do estoque e segmentos de crédito
Segundo InfoMoney, citando o Banco Central, o saldo das operações de crédito do sistema financeiro sobe 0,4% entre agosto e setembro e atinge R$ 7,444 trilhões. O resultado reflete alta de 0,1% nas operações com pessoas físicas e de 1,0% nas carteiras destinadas a empresas no mês; em 12 meses, os avanços são de 9,9% e 6,5%, respectivamente.Dentro da composição do mercado, o estoque de crédito livre cresce 0,8% em setembro, enquanto o crédito direcionado, com recursos como os do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, BNDES, e da poupança, fica estável na comparação mensal. Entre os recursos livres, os saldos sobem 0,2% para pessoas físicas e 1,7% para pessoas jurídicas.
A relação entre o total de operações de crédito e o Produto Interno Bruto, PIB, passa de 55,6%, dado revisado de 55,4%, para 55,5% entre agosto e setembro. No detalhamento das linhas para famílias, o crédito direcionado para habitação de pessoa física cresce 0,8% no mês, alcança R$ 1,443 trilhão e acumula alta de 13,7% em 12 meses. Já o crédito livre para compra de veículos por pessoa física avança 0,4%, para R$ 417,4 bilhões, com expansão de 9,9% em 12 meses.
Desempenho setorial e impacto na atividade
Nas carteiras empresariais por setor, o crédito destinado à agropecuária recua 0,3% entre agosto e setembro, para R$ 57,663 bilhões, mas ainda cresce 5,8% em 12 meses. Para a indústria, o saldo sobe 1,1%, para R$ 1,030 trilhão, com alta anual de 5,5%, enquanto o montante direcionado ao setor de serviços avança 0,2%, para R$ 1,670 trilhão, e acumula expansão de 6,1% no mesmo intervalo.O grupo de crédito para pessoa jurídica com sede no exterior e operações não classificadas registra a maior variação mensal, com aumento de 14,9%, para R$ 8,939 bilhões. Em 12 meses, essa carteira cresce 46,1%.
Já os financiamentos do BNDES para empresas permanecem estáveis em setembro frente a agosto, embora o estoque ainda mostre alta de 9,2% em 12 meses. Os dados indicam uma expansão ainda disseminada do crédito, com sinais de sustentação em habitação, consumo de veículos e segmentos corporativos relevantes da economia.
Na nossa publicação anterior sobre a descida das taxas Euribor, explicámos como a queda nas três maturidades (3, 6 e 12 meses) pode aliviar as prestações das famílias com crédito à habitação de taxa variável, sobretudo nos contratos indexados a seis meses. Também destacámos que este movimento ocorre num contexto de política monetária do BCE e de regras mais restritivas do Banco de Portugal, que influenciam a capacidade de endividamento e as condições de financiamento.
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