B3 perde R$ 963 mil milhões em valor de mercado após reeleição de Lula

B3 perde R$ 963 mil milhões em valor de mercado após reeleição de Lula
Mercado desaba após eleição

A bolsa brasileira atravessa uma forte reavaliação de preços no fim de outubro, depois de o resultado das eleições agravar as preocupações com juros e contas públicas no Brasil. Na semana encerrada em 30 de outubro, o movimento apaga praticamente toda a valorização acumulada pelas empresas listadas ao longo de 2026 e coincide com uma nova subida do dólar.

Destaques

  • Empresas brasileiras na B3 perderam R$ 963 mil milhões em valor de mercado na semana pós-reeleição de Lula, queda de 16,94%.
  • Ibovespa despencou 18,12% na semana, maior recuo desde março de 2020, com apenas três das 76 ações subindo mais de 10%.
  • Dólar subiu mais de 9% na semana, com Suzano, WEG e Embraer destacando-se entre as poucas exportadoras com ganhos relevantes.

Queda semanal apaga ganhos do ano

Como noticiou o InfoMoney Mercados, com base num levantamento da consultora Elos Ayta, as empresas brasileiras cotadas na B3 perderam R$ 963 mil milhões em valor de mercado na semana posterior ao segundo turno das eleições. O valor consolidado das companhias recuou de R$ 5,684 biliões em 23 de outubro para R$ 4,721 biliões em 30 de outubro, numa contração de 16,94%.

Na semana, o Ibovespa acumula queda de 18,12%, a maior baixa desde março de 2020, quando tinha cedido 18,88%, e a quinta maior descida semanal desde o Plano Real, de acordo com o mesmo levantamento. Em outubro, o índice cai 9,88%, num período também marcado por maior aversão ao risco no exterior.

Segundo a Elos Ayta, a perda equivale a 1,31 vez o valor de mercado da Petrobras, estimado em R$ 734 mil milhões. A consultora afirma ainda que o movimento praticamente elimina toda a valorização acumulada pelo mercado acionista brasileiro em 2026, depois de um ganho de R$ 972 mil milhões entre o fecho de 2025 e 23 de outubro, dos quais R$ 378 mil milhões tinham sido incorporados após o primeiro turno, em 4 de outubro.

Exportadoras resistem e incerteza pressiona ativos

O dólar encerra a semana com ganhos superiores a 9%, na cotação mais alta de 2026. Apesar da valorização de 5,20% em outubro, a moeda norte-americana passa a acumular alta inferior a 1% no ano, em 0,81%.

O responsável de tesouraria do BS2, Ricardo Chiumento, atribui a queda do real ao posicionamento unilateral dos investidores a favor de uma vitória da oposição, cenário em que estavam concentradas as expectativas de um ajuste fiscal robusto a partir de 2027. Nesse contexto, poucas das 76 ações do Ibovespa sobem na semana, e apenas três avançam mais de 10%.

Suzano, WEG e Embraer, com perfil exportador, fecham com ganhos expressivos, enquanto várias das maiores quedas atingem ações que tinham subido até 23 de outubro com a perspetiva de recuo dos juros futuros. Para Lucas Castro, sócio-cofundador e responsável por ações da Lince Investimentos, o mercado ainda procura um novo ponto de equilíbrio perante a incerteza sobre a política económica brasileira a partir do próximo ano.

Em nossa análise anterior sobre a queda do Ibovespa após a reeleição de Lula, destacamos como a incerteza política e fiscal intensificou a aversão ao risco e pressionou o índice, com perdas relevantes em blue chips como Vale e Petrobras. Também apontamos que, do ponto de vista técnico, o IBOV estava abaixo das principais médias móveis, com momentum negativo e risco de novas quedas, tendo suportes e resistências-chave no curto prazo.

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