Dólar regista maior alta semanal pós-eleição desde 1994 no Brasil
A reavaliação do risco nos ativos brasileiros após a eleição presidencial impulsiona o dólar para o seu maior avanço semanal no período pós-segundo turno desde o início do Plano Real. A moeda norte-americana fecha a sessão de sexta-feira nos 5,444 reais, acumulando uma valorização de 9,04% na semana, em meio a dúvidas sobre a política económica e as contas públicas.
Destaques
- Dólar à vista fecha sexta-feira, 30, a 5,444 reais, alta diária de 1,05% e avanço de 5,20% em outubro, maior pós-eleição desde 1994.
- Após vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, investidores reduzem exposição ao Brasil devido a incertezas fiscais, levando Ibovespa a acionar circuit breaker e dólar superar 5,60 reais na segunda-feira, 26.
- Entrada líquida de 11,3 mil milhões de dólares em investimento estrangeiro direto em setembro não impede que volatilidade eleitoral e dúvidas fiscais pressionem real e ativos domésticos.
Escalada cambial após o resultado eleitoral
Como noticiou a Exame Mercados, o dólar à vista encerra a sexta-feira, 30, cotado a 5,444 reais, com alta diária de 1,05%, depois de oscilar entre 5,387 reais e 5,462 reais ao longo do pregão.No acumulado de outubro, a divisa sobe 5,20%, embora ainda registe queda de 0,81% no ano. Segundo dados compilados pela Economatica, este é o maior avanço do dólar na primeira semana após um segundo turno presidencial desde 1994.
O movimento acompanha a reprecificação dos ativos domésticos desde a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no domingo, 25. Investidores reduzem exposição ao mercado brasileiro perante incertezas sobre a condução da política económica e a trajetória fiscal.
Na segunda-feira, 26, a reação dos mercados é marcada por forte aversão ao risco. O Ibovespa aciona o circuit breaker pela primeira vez desde 2020, enquanto o dólar chega a superar 5,60 reais durante o pregão.
Pressão fiscal e contraste histórico
A intensidade da subida também se destaca na comparação histórica. A semana pós-segundo turno de 2026 apresenta o maior ganho da moeda norte-americana desde 1994, contrariando o comportamento observado em pleitos anteriores.Em 2002, após a primeira vitória de Lula, o dólar caiu 5% na primeira semana depois do segundo turno. Em 2022, quando o petista também venceu a eleição presidencial, a divisa recuou 4,8%; em 1994, com a eleição de Fernando Henrique Cardoso, a queda foi de 1,6%; e em 2014, após a reeleição de Dilma Rousseff, perdeu 1,5%.
Para Rafael Pastorello, portfólio manager do Banco Sofisa, a alta ocorre apesar da resiliência do investimento estrangeiro direto no Brasil. Em setembro, o país recebeu entrada líquida de 11,3 mil milhões de dólares, mas a volatilidade típica dos períodos pré e pós-eleitorais favorece a saída de recursos de ativos domésticos, pressionando o real.
O quadro é agravado por dúvidas fiscais no Brasil e pela queda das bolsas em Nova Iorque. Nesta sexta-feira, o Ibovespa volta a negociar em baixa, pressionado sobretudo por bancos e ações ligadas à economia doméstica, enquanto o dólar avança pela segunda sessão consecutiva.
Na nossa matéria anterior sobre o minidólar WDOX26, analisámos como o contrato futuro do dólar começou a sessão influenciado pelo fortalecimento global da divisa e pela cautela com as pesquisas eleitorais no Brasil, apesar do fluxo cambial positivo ajudar a limitar ganhos. Também destacámos os principais vetores do dia — como DXY, Treasuries e CPI dos EUA — e mapeámos suportes e resistências, indicando que a continuidade do movimento dependeria de rompimentos técnicos com volume.
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