Natal hackeado: O que aconteceu com a Trust Wallet

Natal hackeado: O que aconteceu com a Trust Wallet
Trust Wallet: uma história de confiança, adoção em massa e um Natal hackeado

O Natal não é a melhor época para notícias. O mercado de criptomoedas geralmente fica mais lento, as conversas se silenciam e os comerciantes saem de férias. Foi nesse momento de silêncio, em 25 de dezembro, que os primeiros relatórios preocupantes começaram a aparecer. Os usuários da Trust Wallet estavam perdendo seus fundos. Mais tarde, ficou claro que o incidente envolveu milhões de dólares, centenas de vítimas e um dos tipos mais preocupantes de ataques: o comprometimento de uma atualização oficial de software. Mais uma vez, isso forçou muitos a fazer uma pergunta familiar. Será que existe uma carteira realmente "segura"?

Este artigo foi traduzido do original. Leia a versão original do nosso correspondente aqui.

O caminho para a adoção em massa

A Trust Wallet surgiu em 2017, em uma época em que as carteiras sem custódia ainda não eram um fenômeno de massa. A maioria dos usuários mantinha seus ativos criptográficos em bolsas de valores, enquanto a ideia de controle pessoal total sobre as chaves privadas continuava sendo, em grande parte, um princípio para os entusiastas. A Trust Wallet oferecia uma alternativa simples. Era uma carteira móvel sem configurações complexas e com uma premissa clara: as chaves pertencem ao usuário, não ao serviço.

Em 2018, o projeto foi adquirido pela Binance. Para a Trust Wallet, isso significou escala e credibilidade, mas não uma mudança em seu modelo subjacente. A carteira manteve seu status de não custodial e gradualmente se tornou parte do kit de ferramentas básico para novos participantes que entram no mercado de criptografia. Ela era frequentemente recomendada como a primeira carteira, o ponto de partida para se familiarizar com a Web3.

Uma carteira como ferramenta universal

Com a evolução do mercado, a própria Trust Wallet também evoluiu. Ela foi além do simples armazenamento de ativos e se tornou um produto multifuncional. O suporte a dezenas de blockchains, a integração com protocolos DeFi, NFTs, staking e um navegador de aplicativos descentralizado incorporado gradualmente moldaram sua imagem como uma carteira cotidiana.

Um marco separado foi o lançamento da extensão do navegador. Ela permitiu que os usuários interagissem com os serviços da Web3 diretamente de seus navegadores e se tornou uma alternativa às soluções já conhecidas. Para muitos, era a mesma Trust Wallet em um ambiente diferente, com o mesmo nível de confiança na marca.

O dia em que uma atualização se tornou uma ameaça

Os eventos de 25 de dezembro mostraram o quanto essa confiança pode ser frágil. O fator comum entre todos os usuários afetados foi a extensão do navegador Trust Wallet para o Chrome, atualizada em 24 de dezembro para a versão 2.68. Os usuários não instalaram software de terceiros nem interagiram com recursos suspeitos. Eles simplesmente aplicaram uma atualização oficial.

Um fragmento malicioso de JavaScript apareceu no código da extensão. Ele estava disfarçado de análise e não interferia no uso normal da carteira. O código era acionado somente em um momento específico, quando um usuário importava uma frase-semente. Os dados eram enviados para um domínio de terceiros registrado poucos dias antes do ataque. Quando os invasores obtinham acesso às frases-semente, eles conseguiam drenar os fundos das carteiras quase que instantaneamente.

A escala do ataque e a resposta da comunidade

O primeiro a chamar sistematicamente a atenção para o incidente foi o investigador de blockchain ZachXBT. Ele identificou vários endereços que estavam acumulando fundos de centenas de carteiras. O ataque afetou várias redes ao mesmo tempo, incluindo Bitcoin, Ethereum e Solana. De acordo com as estimativas dos analistas, as perdas totais chegaram a US$ 6-7 milhões. Parte dos fundos foi rapidamente transferida para serviços centralizados para saque.

A equipe da Trust Wallet confirmou o incidente nas mídias sociais e pediu aos usuários que desativassem imediatamente a versão 2.68 e atualizassem para a versão 2.69. A empresa enfatizou que os aplicativos móveis não foram afetados. O fundador da Binance, Changpeng Zhao, declarou que a Trust Wallet compensaria os usuários por suas perdas.

O que esse hack diz sobre o estado da Web3

O incidente com a Trust Wallet tornou-se ilustrativo para todo o setor. Em 2025, os crimes relacionados a criptografia continuam a crescer e os ataques visam cada vez mais a infraestrutura em vez de usuários individuais. As extensões de carteira do navegador, com seus privilégios de acesso elevados, estão se tornando pontos críticos de risco.

O hack da Trust Wallet não foi resultado de um erro do usuário ou de um ponto fraco na tecnologia blockchain. Isso sugere fortemente que a camada mais vulnerável continua sendo o software entre as pessoas e as redes. É aí que se encontra a principal linha de frente da segurança cibernética no setor de criptografia atualmente.

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