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Mas guardámos tudo 🙂.
A Tether, emissora da maior stablecoin do mundo, o USDT, está se preparando para passar por uma auditoria completa pela primeira vez com uma empresa de contabilidade Big Four. Durante anos, a empresa foi criticada pela falta de transparência em relação às suas reservas. Agora, o Tether parece estar pronto para resolver essa questão de uma vez por todas.
Este artigo foi traduzido do original. Leia a versão original do nosso correspondente aqui.
Em 24 de março, o CEO Paolo Ardoino publicou uma mensagem intrigante no X: "Hoje é um bom dia para uma grande notícia sobre o Tether". Muitos usuários nos comentários imediatamente descartaram a mensagem como um exagero e uma tentativa de atrair atenção sem um anúncio real.
No entanto, menos de um dia depois, os meios de comunicação começaram a relatar o que acabou sendo um desenvolvimento genuinamente significativo - o Tether havia encomendado uma auditoria completa das reservas do USDT a uma empresa de contabilidade Big Four.
De acordo com a CoinDesk, essa será a primeira auditoria completa na história da empresa. Até agora, a Tether contava com os chamados atestados. Eles apenas confirmavam que as reservas correspondiam aos passivos em um momento específico, sem examinar o quadro financeiro completo, a estrutura de ativos ou os controles internos.
Uma auditoria completa é um processo muito mais profundo e abrangente. Ela envolve a revisão de todo o sistema de relatórios financeiros sob padrões rigorosos, incluindo a avaliação de riscos, os controles internos e a origem dos ativos. A ausência de uma auditoria desse tipo tem sido o principal argumento usado pelos críticos da Tether.
Ao mesmo tempo, a empresa já havia começado a se mover nessa direção. No início de 2026, a Tether testou efetivamente a cooperação com uma empresa Big Four por meio de sua nova stablecoin focada nos EUA, a USAT. A Deloitte analisou as reservas do token e confirmou que elas excediam seu suprimento circulante.
Durante anos, o Tether operou sob constante ceticismo. À medida que o USDT crescia, cresciam também as preocupações com a transparência de suas reservas. Isso se tornou uma questão delicada para o mercado porque o USDT não é mais apenas um token popular - ele é uma parte essencial da infraestrutura de criptografia. Ele é amplamente utilizado para negociações, liquidações e transferências entre plataformas, o que significa que qualquer dúvida sobre o Tether afeta diretamente a confiança no setor mais amplo de stablecoins.
A pressão veio de todos os lados. Os órgãos reguladores questionaram a transparência e a qualidade das reservas, os analistas apontaram a estrutura opaca da empresa e os concorrentes usaram a questão para promover produtos alternativos. Outro desafio foi o fato de os principais auditores terem se afastado. O próprio Ardoino admitiu que as empresas Big Four estavam relutantes em trabalhar com o Tether devido aos riscos à reputação. Para elas, o Tether era um cliente de alto perfil e controverso sob intenso escrutínio.
Mas o Tether mudou significativamente ao longo do tempo. Não se trata mais de uma simples operação de "emitir tokens e manter dólares". Seu balanço patrimonial agora é muito mais complexo, incluindo não apenas dinheiro e títulos do Tesouro dos EUA, mas também Bitcoin e ouro. A escala é enorme: O fornecimento de USDT cresceu para cerca de US$ 184 bilhões, os títulos do Tesouro para cerca de US$ 122 bilhões e as reservas de ouro para níveis comparáveis aos de alguns países.
Diante desse cenário, a Tether começou a se comportar mais como uma grande holding financeira, fazendo movimentos ousados além das criptomoedas. Um exemplo notável é sua tentativa de adquirir o clube de futebol italiano Juventus por mais de US$ 1 bilhão. De um polêmico emissor de stablecoin, o Tether evoluiu para um player com ambições globais.
A decisão de se submeter a uma auditoria não se trata apenas de lidar com as críticas do passado - ela faz parte de uma mudança estratégica mais ampla. O mercado de stablecoin tornou-se muito mais competitivo nos últimos anos. Em particular, a USDC se posicionou em torno da transparência e da conformidade regulatória. Nesse ambiente, a escala e a liquidez por si só não são mais suficientes - o Tether precisa provar sua confiabilidade, especialmente para os participantes institucionais.
Ao mesmo tempo, as ambições do Tether continuam a crescer. A empresa não é mais apenas uma infraestrutura para trocas de criptomoedas. Ela está acumulando ativos, investindo em vários setores e se posicionando como um agente financeiro global.
Nesse contexto, a auditoria parece ser um passo lógico. Trata-se menos de se defender e mais de possibilitar o crescimento futuro. À medida que a Tether se expande, aumentam as expectativas em relação à transparência. E se a empresa realmente quiser passar para o próximo nível, terá que provar que suas reservas e seu modelo de negócios podem resistir ao exame minucioso - não apenas em palavras, mas sob padrões financeiros rigorosos.