BCSD Portugal vê sustentabilidade a ganhar peso competitivo nas empresas portuguesas

BCSD Portugal vê sustentabilidade a ganhar peso competitivo nas empresas portuguesas
Sustentabilidade impulsiona negócios

Num contexto de pressão sobre custos de energia, instabilidade geopolítica e menor ambição regulatória em ESG, a sustentabilidade continua a consolidar-se na gestão das empresas portuguesas. A integração ainda não é plenamente estrutural, mas já influencia decisões ligadas à eficiência operacional, à resiliência e à competitividade.

Destaques

  • As empresas portuguesas estão a avançar na descarbonização e economia circular, medindo, reportando e reduzindo emissões para ganhos de eficiência de recursos.
  • O maior entrave para a transição sustentável das PME é o acesso a financiamento e a dificuldade em demonstrar retorno financeiro de longo prazo.
  • Até 2050, as PME precisam integrar sustentabilidade na estratégia empresarial com formação, ferramentas simples de medição e maior apoio das grandes empresas nas cadeias de valor.

Transição empresarial enfrenta bloqueios estruturais

Como disse Rita Nabeiro, presidente do BCSD Portugal, em entrevista ao Negócios, muitas empresas em Portugal já definem metas, assumem compromissos públicos, reforçam o reporte e incorporam critérios ESG nas decisões. Ainda assim, essa integração nem sempre acontece de forma sistémica nos modelos de negócio, apesar de a sustentabilidade deixar de ser vista apenas como uma agenda periférica.

Segundo a responsável, os progressos mais consistentes surgem na descarbonização e na economia circular, com mais empresas a medir, reportar e reduzir emissões, ao mesmo tempo que procuram ganhos de eficiência no uso de recursos. Rita Nabeiro defende que, num ambiente económico mais exigente, a sustentabilidade reforça a sua utilidade prática ao cruzar-se com gestão de risco, eficiência energética, redução de custos e cadeias de abastecimento mais robustas.

Os principais entraves continuam a concentrar-se no financiamento, sobretudo para as PME, que enfrentam mais dificuldades para mobilizar capital e demonstrar retorno financeiro em investimentos com benefícios de longo prazo. A estes obstáculos somam-se limitações de liderança e cultura organizacional, além da escassez de talento em áreas técnicas como medição de impacto, descarbonização e reporte ESG.

Impacto económico e desafio das PME até 2050

Rita Nabeiro sublinha que os riscos climáticos já têm impacto direto nas operações, nas cadeias de fornecimento e nas comunidades, o que torna a prevenção e a resiliência componentes de decisão económica. Num país exposto a fenómenos extremos, integrar o risco climático na estratégia empresarial e reforçar planos de continuidade operacional passa a ter peso crescente na gestão dos negócios.

A dimensão social também ganha relevância na agenda da sustentabilidade em Portugal. Entre as prioridades identificadas estão as condições de trabalho e o bem-estar dos trabalhadores, a promoção da diversidade, equidade e inclusão, o impacto das empresas nas comunidades e o respeito pelos direitos humanos ao longo da cadeia de valor.

Até 2050, data apontada pela Europa para a neutralidade carbónica, a presidente do BCSD Portugal considera essencial que as PME deixem de encarar a sustentabilidade como custo ou imposição externa e passem a integrá-la na estratégia. Para isso, aponta a necessidade de financiamento acessível, ferramentas simples de medição e gestão de impacto, formação em sustentabilidade e maior integração nas cadeias de valor, com apoio das grandes empresas aos seus fornecedores.

Na nossa publicação anterior, analisámos os cortes na dotação do PRR para a transição climática após as reprogramações do último ano e meio, com reduções concentradas na eficiência energética e na mobilidade sustentável. Também assinalámos que, apesar da diminuição de ambição, Portugal mantém os limiares europeus de afetação mínima de fundos às transições climática e digital, enquanto a componente de resiliência ganhou peso. Este enquadramento ajuda a perceber porque o acesso a financiamento e instrumentos de apoio continua a ser um ponto crítico para acelerar a integração da sustentabilidade, sobretudo entre as PME.

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