Portugal acelera preparação para o euro digital na zona euro
Portugal reforça o seu posicionamento no projeto do euro digital à medida que a iniciativa europeia avança para a fase final de negociação legislativa. A futura moeda deverá chegar em fase piloto no segundo semestre de 2027 e ter disponibilização pública em 2029, com impacto esperado nos pagamentos, nos bancos e nos comerciantes.
Destaques
- O Parlamento Europeu inicia negociações tripartidas sobre o euro digital em 9 de julho e uma decisão formal de emissão é esperada até o fim de 2026, com piloto de 12 meses previsto para o segundo semestre de 2027.
- O euro digital terá saldo individual limitado a 3.000 euros, serviços básicos gratuitos e poderá ser usado online e offline, com alta proteção de privacidade nas transações.
- O projeto visa reduzir a dependência europeia de redes de pagamento globais, acelerar pagamentos, baixar custos e criar novas oportunidades de negócio, com lançamento geral previsto para 2029.
Calendário legislativo e preparação nacional
Como noticiou o ThePortugalPost, o Ministério das Finanças de Portugal apresenta o euro digital como um instrumento estratégico para reforçar o papel internacional da moeda única face ao dólar dos U.S. O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, afirma em Bruxelas que o país quer estar na linha da frente de ferramentas que reforcem a competitividade europeia e a economia portuguesa.O Banco de Portugal participa no projeto desde 2020, em áreas como desenho técnico, consulta de utilizadores e testes de protótipos com o Banco Central Europeu e o Eurosistema. Esse envolvimento estende-se aos modelos operacionais e à arquitetura regulatória, numa preparação antecipada para a entrada em funcionamento do sistema.
Em 9 de julho, o Parlamento Europeu aprova o início das negociações tripartidas com a Comissão Europeia e o Conselho da União Europeia, depois do aval da Comissão dos Assuntos Económicos e Monetários em 23 de junho. O BCE espera uma decisão formal sobre a emissão até ao fim de 2026, seguindo-se um piloto de 12 meses no segundo semestre de 2027.
Impacto nos residentes, bancos e pagamentos
Para os residentes em Portugal, o euro digital funciona como uma extensão eletrónica do numerário, utilizável online e offline, sem substituir notas e moedas. Os serviços básicos, como abertura de conta, gestão de fundos e acesso ao instrumento de pagamento, deverão ser gratuitos, enquanto o saldo individual fica limitado a cerca de 3.000 euros e não gera juros.A maioria dos comerciantes deverá aceitar pagamentos em euro digital, com exceções para trabalhadores independentes e micro ou pequenas empresas que não aceitem pagamentos digitais. O modelo inclui proteção de privacidade nas operações, e as transações offline ficam visíveis apenas para comprador e vendedor.
Na perspetiva do setor, a iniciativa procura reduzir a dependência europeia de redes internacionais como Visa, Mastercard, Apple Pay e Google Pay, além de responder ao avanço das stablecoins indexadas ao dólar e do e-CNY da China. Os bancos mantêm reservas quanto ao efeito sobre depósitos e receitas, mas o Eurosistema procura preservar incentivos comerciais para distribuidores, permitindo cobrança a comerciantes por alguns serviços e eliminando taxas de sistema ou liquidação do BCE.
O projeto também é apresentado como uma oportunidade para acelerar pagamentos, baixar custos de processamento e estimular novos modelos de negócio, incluindo funcionalidades programáveis. A disponibilização geral está prevista para 2029, quando os residentes da zona euro passam a poder abrir uma conta em euro digital.
Na nossa publicação anterior sobre o euro digital e o avanço das negociações no Parlamento Europeu, destacámos o apoio do Governo português à iniciativa como forma de reforçar a projeção internacional do euro e reduzir a dependência europeia de fornecedores externos de pagamentos. O texto também sublinhava que o instrumento é pensado como complemento ao numerário, com possibilidade de uso online e offline, num processo legislativo que entrou numa nova fase após a luz verde para conversações entre instituições da UE.
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