Gate Gourmet reforça controlo no catering aéreo em Portugal após compra da Cateringpor
A Autoridade da Concorrência abriu uma análise formal à aquisição total da Cateringpor pela Gate Gourmet, num negócio que concentra uma fatia relevante das refeições servidas à aviação em Portugal. A operação decorre da alienação obrigatória de ativos da TAP no âmbito do plano de reestruturação aprovado pela União Europeia e pode influenciar concorrência, emprego e custos no setor.
Destaques
- Gate Gourmet Switzerland Holding GmbH adquiriu por 9,57 milhões de euros os 51% remanescentes da TAP na Cateringpor, passando a deter 100% da empresa em 13 de abril.
- A Autoridade da Concorrência iniciou avaliação potencialmente condicionante sobre concentração, verticalização e impactos concorrenciais após notificação oficial da operação a 20 de abril, com consulta pública de 10 dias úteis.
- A alienação da Cateringpor cumpre exigência da Comissão Europeia e aproxima a TAP da privatização, com propostas finais para venda de até 49,9% previstas para julho de 2026 e decisão entre agosto e setembro.
Revisão regulatória e termos da operação
Como noticiou o The Portugal Post, a Gate Gourmet Switzerland Holding GmbH concluiu em 13 de abril a compra da participação de 51% da TAP na Cateringpor por 9,57 milhões de euros, passando a deter 100% da empresa. A Autoridade da Concorrência recebeu a notificação oficial da concentração em 20 de abril e registou o processo como Ccent/2026/25.A Gate Gourmet já controlava 49% da Cateringpor antes da transação, o que a deixou como compradora natural, e no final única, quando a TAP lançou o concurso público em 30 de dezembro de 2025. Os documentos do concurso preveem também a continuidade do fornecimento de refeições e bebidas à TAP após a mudança acionista, permitindo à companhia manter esse serviço enquanto sai da atividade.
A autoridade abriu uma consulta pública de 10 dias úteis para recolher observações de companhias aéreas, fornecedores, sindicatos e associações de consumidores. Na avaliação, o regulador deverá analisar a quota de mercado da entidade combinada, as barreiras à entrada em cozinhas aeroportuárias, o eventual efeito de fidelização de clientes e o impacto da integração vertical entre produção de refeições e vendas a bordo.
Impacto para a TAP e para o mercado português
A venda da Cateringpor resulta de uma condição imposta pela Comissão Europeia quando aprovou, em 2021, o pacote de ajuda estatal de 3,2 mil milhões de euros à TAP. Bruxelas exigiu a alienação de participações em catering, assistência em escala e imobiliário para evitar que a transportadora use fornecedores cativos para pressionar concorrentes nos aeroportos portugueses.Com a operação, a Gate Gourmet passa a controlar toda a cadeia entre confeção de refeições e alguns serviços comerciais ligados à aviação em Portugal, o que pode gerar ganhos de eficiência, mas também reduzir opções para as companhias aéreas. Para passageiros e trabalhadores, isso pode traduzir-se em mudanças nos padrões de serviço, na qualidade das refeições e na organização do emprego numa empresa que tem centenas de trabalhadores no país.
A alienação aproxima ainda a TAP de uma nova fase da sua privatização. O governo português aprovou a venda de até 49,9% da companhia, com Air France-KLM e Lufthansa entre os finalistas, enquanto propostas vinculativas são esperadas em julho de 2026 e uma decisão do executivo é antecipada entre o fim de agosto e o início de setembro.
A decisão final da Autoridade da Concorrência, esperada até 30 dias após o fecho da consulta, poderá servir de referência para futuras concentrações nos serviços de aviação em Portugal. Se o negócio avançar sem remédios, o mercado poderá assistir a mais aquisições transfronteiriças de prestadores portugueses; se houver condições impostas, o sinal será de maior cautela perante o aumento de poder de mercado.
Na nossa publicação anterior sobre a aquisição de 100% do Novo Banco pelo grupo francês BPCE, explicámos como a saída do Estado do capital encerrou uma longa fase da crise bancária e abriu uma nova etapa competitiva no mercado financeiro português. Também destacámos a transição operacional até 2027, a perspetiva de financiamento mais barato e o potencial reforço da oferta de crédito e serviços para famílias e empresas, apoiado por uma perceção de risco mais favorável após a operação.
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