Portugal enfrenta subida dos combustíveis com bloqueio no estreito de Hormuz

Portugal enfrenta subida dos combustíveis com bloqueio no estreito de Hormuz
Combustíveis sobem em Portugal

Os preços dos combustíveis em Portugal sobem esta semana, num movimento ligado à escalada entre o Irão e os U.S. e à dependência total do país de crude importado. O agravamento atinge famílias e empresas num momento em que o governo já recorre a cortes temporários no ISP para limitar o impacto nas bombas.

Destaques

  • Gasóleo e gasolina em Portugal sobem cerca de 10 e 6,5 cêntimos por litro, respetivamente, devido ao bloqueio do estreito de Hormuz desde 28 de fevereiro.
  • O Brent ultrapassou $126 por barril após saltar de cerca de $70, enquanto os EUA bloquearam 42 navios ligados ao Irão, elevando a volatilidade no fornecimento global.
  • O governo reduziu o ISP em março de 2026 e lançou apoios setoriais, mas Portugal continua vulnerável por importar 100% do crude consumido e ter 95% de dependência dos transportes de combustíveis fósseis.

Escalada externa pressiona preços em Portugal

The Portugal Post noticia que o gasóleo deverá aumentar cerca de 10 cêntimos por litro e a gasolina cerca de 6,5 cêntimos, refletindo a perturbação provocada pelo fecho do estreito de Hormuz desde 28 de fevereiro. A via marítima concentra aproximadamente 20% dos fluxos mundiais de crude e gás natural liquefeito, o que amplia o efeito sobre os mercados energéticos europeus e sobre o referencial Brent usado pelas refinarias.

Segundo os valores citados no texto, o Brent passou de cerca de 70 dólares por barril antes do fim de fevereiro para um intervalo entre 114 e 124 dólares, tendo superado os 126 dólares por barril. O Automóvel Club de Portugal, ACP, e a ANAREC baseiam as suas previsões no fecho do mercado de quinta-feira, apontando para um ajustamento rápido dos preços nas bombas a partir de segunda-feira.

O texto refere ainda que os U.S. bloquearam 42 navios com origem ou destino em portos iranianos, agravando a pressão sobre a oferta global. Nesse contexto, o impasse entre Washington e Teerão mantém o risco de novos aumentos enquanto não surgir uma solução diplomática.

Impacto económico e resposta fiscal

O aumento dos combustíveis pressiona de imediato o transporte rodoviário, com reflexos esperados nos preços dos alimentos, materiais de construção, peças e outros bens distribuídos por camião. O turismo também enfrenta custos acrescidos em tarifas aéreas, aluguer de automóveis e ligações marítimas, num setor com peso relevante no PIB português.

Em março de 2026, o governo de Luís Montenegro reduziu o Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos em 8,34 cêntimos por litro no gasóleo e em 4,58 cêntimos na gasolina sem chumbo. O executivo também avançou com apoios dirigidos a transportadores, cooperativas agrícolas, agricultores, pescadores e bombeiros humanitários, além de participar numa resposta coordenada da Agência Internacional de Energia.

Apesar destas medidas, a fragilidade estrutural mantém-se. Portugal importa 100% do crude que consome e o setor dos transportes continua dependente em 95% de combustíveis fósseis, o que deixa o país exposto a choques externos mesmo tendo a refinaria de Sines capacidade para processar 226.000 barris por dia e exportar produtos refinados.

Na nossa publicação anterior sobre as negociações do programa nuclear iraniano, explicámos que os contactos diplomáticos entre Washington e Teerão decorrem num contexto de instabilidade regional que mantém elevada a volatilidade nos mercados energéticos. Destacámos que, para um país importador como Portugal, a falta de garantias verificáveis prolonga o risco de perturbações no abastecimento e de custos mais altos para setores como transportes, logística, indústria e turismo.

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