REN mantém exposição à barragem de Cahora Bassa enquanto seca em Moçambique pressiona produção
A participação de 7,5% da REN na Hidroeléctrica de Cahora Bassa mantém o grupo português ligado a um ativo central para o abastecimento elétrico da África Austral num período de forte stress hídrico. Apesar de uma quebra de 30% na produção em 2025, a operadora moçambicana reporta lucro líquido de 95,5 milhões de euros e preserva o fornecimento a mercados regionais.
Destaques
- HCB gerou 10.921 GWh em 2025, queda de 30% em relação aos 15.754 GWh de 2024, devido à pior seca desde a década de 1980.
- A empresa manteve receitas de $344 milhões e resultado líquido de $112 milhões, repassando cerca de $300 milhões ao Estado moçambicano apesar da crise hídrica.
- A exposição da REN à barragem de Cahora Bassa ressalta tanto oportunidades em África como riscos climáticos, com impacto relevante na segurança energética regional interligada.
Resultados de 2025 sob pressão hídrica
Conforme noticiado pelo ThePortugalPost, a Hidroeléctrica de Cahora Bassa, HCB, gerou 10.921 GWh de eletricidade em 2025, menos 30% do que os 15.754 GWh registados em 2024, num contexto descrito como a pior crise hidrológica na bacia do Zambeze desde o início da década de 1980. Em maio de 2025, o armazenamento da albufeira caiu para 24% da capacidade ativa e o nível da água desceu para 306 metros.Mesmo assim, a empresa registou receitas de 344 milhões de dólares, 293,2 milhões de euros, e um resultado líquido de 112 milhões de dólares, 95,5 milhões de euros, aprovado pelos acionistas em 30 de abril. A HCB entregou ainda cerca de 300 milhões de dólares, 255,7 milhões de euros, ao Estado moçambicano em impostos, taxas e dividendos, reforçando o seu peso nas contas públicas.
O presidente da empresa, Tomás Matola, atribui o desempenho a uma gestão prudente dos recursos hídricos e financeiros, bem como ao cumprimento continuado dos contratos comerciais. A barragem continua a abastecer a Eletricidade de Moçambique, a Eskom da África do Sul, a ZESA do Zimbabwe e a rede regional alargada, apesar do impacto do fenómeno El Niño desde 2023 e da precipitação acumulada mais baixa em três décadas na época de 2023-2024.
Impacto para Portugal e segurança energética regional
A posição da REN em Cahora Bassa expõe a empresa cotada em Lisboa ao potencial de procura energética em África, mas também ao risco climático associado à produção hidroelétrica. O caso mostra que a rentabilidade pode ser preservada mesmo com limitações operacionais severas, quando existe gestão disciplinada e interligação regional capaz de sustentar fluxos comerciais de eletricidade.Para investidores e decisores portugueses, o desempenho da HCB evidencia a importância da cooperação energética transfronteiriça e da monitorização do risco hidrológico em infraestruturas africanas. A ligação histórica de Portugal ao setor energético moçambicano continua assim a oferecer oportunidades, mas também sublinha a vulnerabilidade de ativos estratégicos a episódios prolongados de seca.
A relevância de Cahora Bassa ultrapassa Moçambique, porque os sistemas elétricos da África Austral estão interligados e a pressão sobre a bacia do Zambeze afeta vários países ao mesmo tempo. Neste contexto, a capacidade de manter operações e contratos durante uma quebra acentuada de produção reforça o papel da barragem na segurança energética regional.
Na nossa publicação anterior sobre a tensão no estreito de Ormuz, analisámos como um ataque a um navio comercial perto de Sirik, no Irão, elevou o alerta numa das rotas mais críticas para o comércio global de petróleo e gás. O texto destacou o potencial impacto para Portugal, desde a subida da fatura energética e dos combustíveis até ao aumento de custos logísticos, seguros e prazos de entrega, reforçando a necessidade de monitorização destes riscos externos.
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