Portugal prevê dívida pública em 85% ou 86% do PIB no final do ano
A dívida pública portuguesa sobe para 91,0% do PIB no primeiro trimestre, num movimento que o Governo classifica como sazonal e ligado à gestão de reembolsos. O Ministério das Finanças mantém a meta de fechar o ano abaixo dos 89,7% registados no final de 2025, com uma estimativa em torno de 85% ou 86%.
Destaques
- Portugal prevê encerrar 2026 com dívida pública entre 85% e 86% do PIB, abaixo dos 89,7% registados em 2025.
- A dívida pública aumentou 471 milhões de euros em março de 2026, totalizando 283.183 milhões de euros, impulsionada por mais depósitos e certificados de aforro.
- O rácio da dívida voltou a superar os 90% do PIB no primeiro trimestre, refletindo fatores sazonais e reembolso de Obrigações do Tesouro segundo autoridades.
Subida trimestral reflete reembolsos de dívida
Como noticiou o Jornal de Negócios, o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, disse esta segunda-feira, em Bruxelas, à entrada para a reunião do Eurogrupo, que o aumento da dívida pública no primeiro trimestre é conjuntural. O governante afirmou que esta evolução acontece todos os anos e está associada ao reembolso de Obrigações do Tesouro, o que obriga a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública a emitir nova dívida para assegurar esses pagamentos.Perante os jornalistas, Miranda Sarmento indicou que a dívida pública deverá terminar o ano alguns pontos percentuais abaixo dos 89,7% do PIB com que Portugal encerra 2025. A estimativa apresentada pelo ministro aponta para um rácio entre 85% e 86% no final do ano.
Dados de março mostram aumento mensal
Segundo o Banco de Portugal, a dívida pública totaliza perto de 283.183 milhões de euros em março de 2026, mais 471 milhões de euros do que em fevereiro. Os dados divulgados em 4 de maio mostram também que o rácio da dívida volta a superar os 90% do PIB no primeiro trimestre deste ano.De acordo com o banco central, a subida mensal reflete sobretudo o aumento das responsabilidades em depósitos, que crescem 400 milhões de euros. Dentro dessa rubrica, destacam-se os certificados de aforro, com mais 300 milhões de euros, e os depósitos de entidades públicas no Tesouro, também com mais 300 milhões de euros, enquanto os certificados do Tesouro recuam 200 milhões de euros.
A leitura destes dados sugere que a pressão do arranque do ano resulta mais da calendarização da gestão da dívida do que de uma alteração estrutural da trajetória anual. Para o mercado e para a política orçamental, a meta indicada pelo Governo mantém o foco na continuação da descida do rácio no conjunto de 2026.
Na nossa publicação anterior sobre o regresso da dívida pública portuguesa acima de 90% do PIB no primeiro trimestre, destacámos que o rácio voltou a superar essa fasquia após o fecho de 2025 em 89,7%, com o stock a aumentar em março para cerca de 283,2 mil milhões de euros. O texto explicava que a subida foi puxada sobretudo por depósitos e pela evolução dos certificados de aforro, enquanto o Governo mantinha a projeção de descida do rácio no conjunto do ano, apesar da pressão típica do arranque do exercício.
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