Portugal reforça contingência no jetfuel com possível apoio do Brasil

Portugal reforça contingência no jetfuel com possível apoio do Brasil
Jetfuel: plano de emergência

Portugal está a reforçar os planos de contingência para o abastecimento de combustível de aviação perante os riscos criados pela crise energética europeia e pela instabilidade no Médio Oriente. O Governo indica que o Brasil poderá fornecer jetfuel se houver escassez nos aeroportos portugueses, numa fase em que o setor acompanha semanalmente a evolução do mercado.

Destaques

  • Portugal assegura possível aumento das exportações de jetfuel do Brasil após acordo entre Graça Carvalho e o ministro brasileiro durante visita de Lula da Silva.
  • A Galp cobre 80% das necessidades de jetfuel em Portugal e descarta disrupções, mas admite possibilidade de restrição no abastecimento no final do verão se a crise agravar.
  • A guerra no Irão e tensões no Estreito de Ormuz elevam riscos de escassez e custos de combustíveis, levando companhias aéreas europeias a considerar redução de voos.

Plano de contingência para o abastecimento

Como noticiou o Jornal de Negócios, a ministra do Ambiente e Energia, Graça Carvalho, afirmou no parlamento que o Brasil poderá aumentar a exportação de combustível para aviação para Portugal caso venha a ser necessário. Segundo a governante, a garantia foi obtida durante a recente visita do Presidente Lula da Silva a Portugal, através do ministro brasileiro de Minas e Energia.

Na audição regimental, Graça Carvalho disse que a Galp assegura 80% das necessidades de jetfuel e dispõe de contratos e fornecedores seguros para os restantes 20%. Ainda assim, admitiu que, se a crise energética se agravar, poderá existir alguma contenção no fornecimento de combustível para aviação no fim do verão.

A ministra acrescentou que o Governo está tranquilo, acompanha a situação todas as semanas e mantém contacto com países fornecedores. A Galp também tem indicado que não antecipa disrupções no abastecimento de combustível para a aviação e que já adota medidas para reforçar a segurança de abastecimento e de armazenagem.

Pressão geopolítica sobre a aviação europeia

A Comissão Europeia também tem sustentado que não existe escassez de combustíveis na União Europeia, embora esteja a preparar-se para possíveis falhas no combustível para aviação. O enquadramento é o de uma crise energética na UE marcada por vulnerabilidades no abastecimento e por sucessivos choques externos, num bloco dependente de importações de petróleo e derivados.

A guerra no Irão, desencadeada por ataques dos Estados Unidos e de Israel e agora em período de cessar-fogo, pode afetar rotas estratégicas de transporte de petróleo, como o Estreito de Ormuz. Esse risco aumenta a pressão sobre preços e disponibilidade de combustíveis, com impacto direto no setor da aviação europeia.

Perante este cenário, autoridades e empresas do setor aéreo estão a reforçar medidas de contingência. Algumas companhias aéreas avançam mesmo para a redução de voos devido ao aumento dos custos com combustível.

Na nossa publicação anterior sobre o risco de escassez de querosene para a aviação na Europa, explicámos que a escalada de tensão no Médio Oriente e as perturbações no Estreito de Ormuz aumentaram a volatilidade energética e a preocupação com o abastecimento no pico do verão. Destacámos o alerta do Governo de que uma falta de jet fuel teria impacto económico significativo em Portugal, dado o peso do turismo e a elevada percentagem de turistas que chega de avião.

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