Portugal e Alemanha defendem pressão diplomática sobre o Irão para conter riscos no comércio
Portugal e Alemanha defendem em Berlim uma resposta coordenada ao Irão, combinando pressão diplomática e contenção política perante os riscos para a segurança e para a economia. A posição surge num momento em que os dois governos alertam para os efeitos da crise no estreito de Ormuz sobre as rotas marítimas, o comércio internacional e a atividade europeia.
Destaques
- Luís Montenegro e Friedrich Merz defendem reforço da pressão diplomática e eventual aumento de sanções ao Irão devido a riscos nucleares e comerciais.
- Merz alerta que um bloqueio iraniano no estreito de Ormuz afetaria diretamente as economias alemã e portuguesa e defende vias marítimas desimpedidas.
- Entre 2021 e 2025, exportações portuguesas para a Alemanha cresceram em média 12,9% e as importações de bens e serviços aumentaram 7,1%.
Encontro em Berlim centra-se em segurança e comércio
Como reporta o Jornal de Negócios, Luís Montenegro e Friedrich Merz assumem uma posição comum de reforço da pressão política e diplomática sobre Teerão, durante uma conferência de imprensa conjunta na capital alemã. O primeiro-ministro português afirma que os conflitos se resolvem com capacidade de diálogo entre as partes envolvidas, mas considera inaceitável a atuação do Irão, tanto pelo potencial nuclear em termos militares como pelas consequências para o comércio internacional e pelos ataques na região.Montenegro defende que a Europa deve reafirmar a força dos argumentos através do diálogo, da negociação e do cumprimento do que for acordado. Do lado alemão, Merz avisa que um bloqueio iraniano no estreito de Ormuz afeta as economias alemã e portuguesa e sustenta que as vias marítimas devem permanecer desimpedidas.
O chanceler alemão diz ainda que defende o aumento das sanções a Teerão caso o bloqueio continue e acrescenta que Berlim está em coordenação com Washington sobre a resposta ao dossiê iraniano. Depois da conferência de imprensa, os dois líderes seguem para uma reunião a sós e está também previsto um encontro entre as delegações dos dois países com a presença do ministro da Economia e Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida.
Relação económica bilateral ganha relevo no Wirtschaftstag
A visita decorre num quadro de forte ligação económica entre os dois países. A Alemanha é a maior economia da União Europeia, o terceiro principal cliente de Portugal e o segundo fornecedor, enquanto entre 2021 e 2025 as exportações portuguesas de bens e serviços para o mercado alemão cresceram em média 12,9% e as importações aumentaram 7,1%.Após o encontro bilateral, Montenegro e Merz participam no Wirtschaftstag, uma das principais conferências económico-políticas da Alemanha, organizada pelo Wirtschaftsrat der CDU e frequentada por cerca de 3.000 empresários. O evento, realizado a 4 e 5 de maio em Berlim, reúne líderes políticos e empresariais europeus para discutir o futuro da economia, da indústria e do investimento, com a presença de grupos como Siemens, Deutsche Bank e BASF.
O convite para a participação do primeiro-ministro português parte do próprio chanceler alemão e é interpretado como um sinal de interesse em aprofundar as relações bilaterais. O programa inclui ainda um discurso de Montenegro antes do regresso a Lisboa no final da noite.
Na nossa publicação anterior sobre a visita de Luís Montenegro a Berlim para reforçar as relações com a Alemanha, destacámos que o encontro com Friedrich Merz tinha como eixos o investimento e a competitividade, num momento sensível para a economia europeia e o futuro da UE. Referimos também a importância do comércio bilateral — com exportações portuguesas a crescerem em média 12,9% entre 2021 e 2025 — e a participação de Montenegro no Wirtschaftstag, onde Portugal procura aprofundar laços com empresas e decisores alemães.
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