Visabeira propõe retirar Vista Alegre Atlantis da Euronext Lisboa e pagar 1,07 euros por ação

Visabeira propõe retirar Vista Alegre Atlantis da Euronext Lisboa e pagar 1,07 euros por ação
Vista Alegre pode sair da bolsa

A Vista Alegre Atlantis enfrenta uma proposta de saída de bolsa que será votada na assembleia-geral de 29 de maio, num momento em que a liquidez do título permanece reduzida e o capital disperso no mercado é residual. A operação prevê uma contrapartida de 1,07 euros por ação para os acionistas que não votarem favoravelmente, caso a deliberação seja aprovada e a exclusão venha a ser aceite pela CMVM.

Destaques

  • Visabeira, detendo 84,76% do capital da Vista Alegre Atlantis, propõe retirar a empresa da Euronext Lisboa com oferta de 1,07 euros por ação.
  • A saída de bolsa exige aprovação por pelo menos 90% dos direitos de voto, com Visabeira Indústria comprometida a comprar ações dos opositores até três meses após deferimento pela CMVM.
  • A operação é justificada por free float de 5,24% e possibilidade da proposta ser retirada se um perito fixar contrapartida justa acima dos 1,07 euros por ação.

Proposta de delisting e condições da oferta

A Vista Alegre Atlantis informou à CMVM que a Visabeira, que detém direta e indiretamente 84,76% do capital da sociedade, vai propor a exclusão da negociação das ações da empresa na Euronext Lisboa na assembleia-geral marcada para 29 de maio.

Para que a saída de bolsa avance, a proposta tem de reunir pelo menos 90% dos direitos de voto. Aos acionistas que não votarem favoravelmente, a Visabeira propõe pagar 1,07 euros por ação, valor que, segundo o documento, corresponde ao preço unitário mais elevado pago aos acionistas nos seis meses anteriores à convocatória da assembleia-geral.

De acordo com a informação enviada ao regulador, caberá à Visabeira Indústria comprar as ações dos investidores que votarem contra, num prazo de três meses após o deferimento da exclusão pela CMVM. A proposta é assinada pela NCFGEST, Grupo Visabeira SGPS, Visabeira Indústria e NCFTradetur, sendo a NCFGEST a detentora maioritária do capital das restantes signatárias.

Baixo free float pesa na decisão

A Visabeira justifica a operação com a reduzida dispersão acionista da empresa, apontando para um free float de 5,24% e para a ausência de perspetivas, no curto e médio prazo, de aumento dessa dispersão em mercado regulamentado ou de reforço de capital por subscrição pública.

Entre os argumentos apresentados, o grupo refere ainda que a principal alteração recente na estrutura acionista, com o investimento de Cristiano Ronaldo, ocorreu fora de mercado, e sustenta que o mercado obrigacionista constitui uma alternativa de financiamento. Na avaliação das acionistas signatárias, os custos associados à manutenção das ações em negociação superam os benefícios para a sociedade, os acionistas e os restantes stakeholders.

O documento prevê, contudo, uma salvaguarda relevante. Se um perito vier a fixar uma contrapartida considerada justa acima dos 1,07 euros por ação, a Visabeira poderá renunciar integralmente à proposta de exclusão voluntária de negociação.

Na nossa publicação anterior sobre a subida do PSI impulsionada por resultados trimestrais, analisámos uma sessão em Lisboa dominada pela divulgação de contas e por decisões societárias. Destacámos a reação do mercado a empresas como REN, Navigator, BCP, CTT e EDP, num contexto em que também pesaram indicadores da Zona Euro e o sentimento de risco nos mercados.

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