Portugal regista impulso no PIB com investimento em chips de IA para centro de dados em Sines

Portugal regista impulso no PIB com investimento em chips de IA para centro de dados em Sines
Crescimento do PIB com IA

A entrega de milhares de processadores Nvidia ao centro de dados Start Campus, em Sines, está a alterar de forma visível os indicadores macroeconómicos portugueses no primeiro trimestre. O efeito vem de um salto de 3,6 mil milhões de euros no investimento em máquinas e equipamentos, num momento em que a procura externa enfraquece e a balança comercial sofre pressão adicional.

Destaques

  • O investimento em importação de máquinas automáticas de processamento de dados, cerca de 3,6 mil milhões de euros, impulsionou o PIB português em 2,3% no primeiro trimestre de 2026.
  • O Start Campus em Sines recebeu 12.600 GPUs Nvidia Blackwell Ultra GB300 em 2026 e prepara-se para receber mais 66.000 GPUs Nvidia Vera Rubin até ao fim de 2027, consolidando-se como infraestrutura líder de IA na UE.
  • A Microsoft anunciou investimento superior a 8,6 mil milhões de euros em infraestrutura de cloud e IA em Sines, prevendo que o seu ecossistema gere até 9 mil milhões de euros e 3,1% do PIB nacional.

Encomenda de IA altera contas nacionais

Como noticiou o The Portugal Post, o Instituto Nacional de Estatística confirmou que a subida da rubrica de "outras máquinas e equipamentos" para cerca de 3,6 mil milhões de euros resulta diretamente da importação de máquinas automáticas de processamento de dados. Esse movimento ajuda a economia portuguesa a crescer 2,3% no primeiro trimestre, apesar do abrandamento na construção e noutros componentes da procura.

Duas fontes citadas no texto indicam que a operação corresponde a 12.600 GPUs Nvidia Blackwell Ultra GB300, encomendadas em outubro de 2025 pela britânica Nscale e entregues entre janeiro e abril ao primeiro edifício do Start Campus. Os processadores destinam-se a cargas de trabalho Azure da Microsoft e representam, segundo o texto, a maior instalação única dessa geração de chips na União Europeia.

Como estas importações de bens de capital entram nas contas como formação bruta de capital fixo no trimestre em que chegam, o impacto aparece ao mesmo tempo no investimento e nas importações. O resultado é um reforço estatístico do PIB acompanhado por um agravamento do défice comercial, com as importações a acelerarem de 0,9% no quarto trimestre de 2025 para 5,2% no primeiro trimestre.

Sines reforça posição na infraestrutura europeia de IA

O complexo Start Campus, avaliado em 8,5 mil milhões de euros e instalado no local de uma antiga central a carvão, ganha vantagem sobre mercados mais maduros como Frankfurt, Amesterdão e Dublin devido à capacidade elétrica assegurada, ao acesso a eletricidade 100% renovável e a um sistema de refrigeração com água do mar. A localização de Sines em rotas de cabos submarinos entre a América do Norte, a América do Sul, África e Ásia também reforça o seu peso estratégico para operações de grande escala.

O governo português acelerou o projeto no âmbito do Plano Nacional de Centros de Dados, tratando a infraestrutura digital como prioridade estratégica. O primeiro edifício entrou em operação em 2024, a construção do segundo começou no início de 2026 e a conclusão está prevista para 2027.

A Microsoft anunciou no fim de 2025 um investimento superior a 8,6 mil milhões de euros em infraestrutura de cloud e IA em Portugal, centrado em Sines. Segundo um estudo de impacto económico encomendado pela empresa, o ecossistema da Microsoft em Portugal gerou 7,3 mil milhões de euros em valor económico em 2025, ou 2,5% do PIB, e poderá atingir 9 mil milhões de euros e 3,1% do PIB quando a instalação estiver em plena capacidade, além de apoiar mais 8.300 empregos.

Uma segunda vaga já está prevista: em 5 de maio, a Nscale anunciou uma nova encomenda de 66.000 GPUs Nvidia Vera Rubin, com entrega esperada para o fim de 2027 no segundo edifício do campus. Se essa remessa chegar num período concentrado, poderá provocar nova oscilação forte nos dados trimestrais de investimento e importações, enquanto Portugal tenta transformar a vantagem em Sines em atividade económica duradoura, incluindo software, treino de modelos e aplicações empresariais no mercado interno.

Na nossa publicação, a recente queda das ações da Meta (META) foi analisada no contexto do aumento dos investimentos em IA e de uma intervenção regulatória de Pequim que obrigou a empresa a desfazer um acordo de US$ 2 mil milhões com a startup Manus AI. O texto também destacou a revisão em alta do capex para 2026 e como a combinação de risco regulatório e sinais técnicos negativos manteve o papel sob forte pressão vendedora no curto prazo.

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