José Antonio  Gastelum

Portugal reforça peso estratégico na NATO com subida do investimento em Defesa

Portugal reforça peso estratégico na NATO com subida do investimento em Defesa
Portugal ganha peso na NATO

A menos de um mês da cimeira da NATO em Ancara, Portugal surge posicionado para ganhar relevância estratégica no Atlântico Norte num contexto de maior exigência sobre o esforço europeu em Defesa. O reforço do investimento militar e a crescente centralidade geoestratégica do Atlântico, ligada também ao degelo do Ártico, sustentam essa avaliação.

Destaques

  • Portugal aumentou o investimento em Defesa de 1,58% para cerca de 2% do PIB, um dos maiores saltos entre os aliados da NATO.
  • A cimeira de 7 e 8 de julho em Ancara avaliará o progresso dos países para atingir a meta de 5% do PIB em Defesa até 2035.
  • O degelo do Ártico e novas rotas marítimas fortalecem a centralidade estratégica do Atlântico Norte, reforçando a posição geopolítica de Portugal na NATO.

Investimento em Defesa e agenda da cimeira

Em entrevista à agência Lusa, Paulo Vizeu Pinheiro, embaixador de Portugal na NATO, disse que a cimeira de 07 e 08 de julho em Ancara terá entre os temas centrais a necessidade de os europeus e o Canadá assumirem mais responsabilidade pela sua própria Defesa.

O diplomata defendeu que os aliados europeus devem aumentar o seu contributo para a defesa do espaço euro-atlântico e indicou que, na reunião, será feita uma avaliação ao cumprimento do caminho acordado na cimeira de Haia, no ano passado, para alcançar a meta de 5% do Produto Interno Bruto dedicado à Defesa até 2035. Segundo Vizeu Pinheiro, Portugal está a cumprir esse percurso, após passar de 1,58% para o patamar dos 2% do PIB, o que classificou como um dos maiores saltos entre os aliados em termos de esforço financeiro, orçamental e militar.

O embaixador associou essa evolução à mobilização do Governo e considerou que a modernização das Forças Armadas é decisiva para o papel futuro do país na Aliança, envolvendo Marinha, Força Aérea e Exército.

Centralidade do Atlântico favorece Portugal

Vizeu Pinheiro rejeitou que o reforço de um pilar europeu na NATO reduza a importância do Atlântico Norte e argumentou que essa área ganha nova centralidade geoestratégica, em especial devido ao degelo do Ártico. Na sua leitura, a abertura de novas rotas marítimas cria simultaneamente oportunidades logísticas, riscos de segurança e uma maior necessidade de controlo estratégico.

O diplomata sustentou que tudo o que vier do Norte e do Ártico constitui um ponto de entrada relevante para o Atlântico, o que reforça o valor da posição portuguesa no quadro da defesa coletiva. Acrescentou que Portugal não é relevante apenas pelos Açores e recordou que, na jurisdição naval marítima e na área de responsabilidade internacional de voo, o país é vizinho dos U.S..

Questionado sobre um eventual benefício bilateral por parte de Washington, após elogios do secretário de Estado Marco Rubio, o embaixador respondeu que essa matéria pertence ao plano bilateral e não ao da NATO. Ainda assim, afirmou manter contacto próximo com o embaixador norte-americano e disse que os U.S. expressam reconhecimento pelo papel de Portugal enquanto aliado.

Na nossa publicação, analisámos a trégua entre os U.S. e o Irão e o recuo face a um ataque aéreo planeado, destacando como isso reduziu, por agora, o risco de choque energético. O texto explicou porque o Estreito de Ormuz continua a ser um ponto crítico para os mercados, com potencial para pressionar preços do petróleo, custos de transporte e cadeias de abastecimento relevantes para Portugal e a Europa.

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