Portugal destaca investimento em Defesa e oportunidades para a indústria na cimeira da NATO

Portugal destaca investimento em Defesa e oportunidades para a indústria na cimeira da NATO
Portugal aposta na Defesa

Portugal entra na cimeira da NATO em Ancara com a defesa da unidade da Aliança e da centralidade do Atlântico para a segurança europeia. O Governo sustenta que o reforço do investimento militar para 2,01% do PIB não comprometeu as contas públicas e pode abrir espaço ao desenvolvimento da indústria de defesa nacional.

Destaques

  • Portugal investiu 2,01% do PIB em Defesa em 2024, aumentando o orçamento em 1,6 mil milhões de euros sem comprometer políticas públicas.
  • A cimeira da NATO em Ancara deverá reforçar o apoio à Ucrânia e ampliar oportunidades económicas para a indústria de defesa, principalmente para PME.
  • Portugal está construindo dois navios reabastecedores na Turquia com entrega prevista para 2028 e avalia a substituição dos F-16 por F-35 ou sistemas europeus.

Cimeira em Ancara enquadra metas de Defesa

Segundo Jornal de Negócios, segundo o gabinete do primeiro-ministro, Luís Montenegro, a cimeira da NATO que decorre em Ancara representa para Portugal um momento relevante de reafirmação da unidade da Aliança e do papel do Atlântico na segurança da Europa. O executivo entende que o encontro ocorre num contexto de tensão entre a Europa e os U.S., com Washington a pressionar os aliados europeus a assumirem maior responsabilidade no esforço de defesa.

O Governo afirma que cumpriu o compromisso assumido ao investir 2,01% do PIB em Defesa, o equivalente a um reforço de 1,6 mil milhões de euros num ano, sem prejudicar a estabilidade das contas públicas nem as políticas sociais. Também defende que mantém uma trajetória credível para continuar a investir de forma responsável e para reforçar as capacidades das Forças Armadas em linha com as metas da NATO, depois de os aliados terem elevado para 5% o objetivo de investimento até 2035 na última cimeira, em Haia.

Na leitura do executivo, Portugal apresenta-se ainda como contribuinte líquido para a segurança transatlântica através da participação em missões da Aliança, incluindo na Roménia e no policiamento aéreo do Báltico. O Governo acrescenta que a cimeira deverá confirmar a solidez do vínculo transatlântico, com reafirmação do compromisso dos U.S. e maior envolvimento dos países europeus.

Indústria de defesa ganha peso económico

O executivo considera também que o encontro em Ancara deverá reafirmar o apoio à Ucrânia e sublinhar a necessidade de desenvolver as indústrias de defesa, apontando para as oportunidades económicas associadas a esse movimento. Nesse quadro, destaca a importância de dar atenção específica às PME, que descreve como centrais para o tecido produtivo português.

Entre os projetos com ligação ao setor, Portugal tem atualmente na Turquia a construção de dois navios reabastecedores, o NRP Luís de Camões e o D. Dinis, com entrega prevista para 2028. Ao mesmo tempo, o país mantém uma postura cooperante perante a administração norte-americana, incluindo no uso da Base das Lajes, nos Açores, enquanto a eventual substituição dos F-16 por F-35 norte-americanos continua em aberto, numa disputa que também envolve grupos europeus como a Saab.

Na nossa publicação anterior sobre o reforço do orçamento da Defesa em Portugal, detalhámos como o país passou a prever 6 mil milhões de euros para 2025 e atingiu pela primeira vez a meta de 2% do PIB da NATO, com a maior subida anual da última década. Também explicámos a reorientação gradual da despesa para aquisição de capacidades e os principais projetos e fontes de financiamento em análise — incluindo o mecanismo europeu SAFE, a modernização de meios e decisões em aberto como a substituição dos F-16 — no quadro da nova meta de 5% até 2035.

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