Portugal eleva despesa com defesa para 6 mil milhões de euros e cumpre meta de 2% da NATO
Num contexto de reforço militar entre os aliados europeus, Portugal afeta 6 mil milhões de euros à defesa em 2025 e atinge pela primeira vez a meta de 2% do PIB definida pela NATO. O aumento de 1,6 mil milhões de euros face a 2024 também marca a maior subida anual registada pelo país na última década e sinaliza uma mudança gradual da despesa com pessoal para aquisição de capacidades.
Destaques
- Portugal eleva o orçamento da Defesa para 6 mil milhões de euros em 2025, atingindo pela primeira vez a meta de 2% do PIB da NATO.
- A fatia dedicada à aquisição de equipamento sobe para 21% do total, impulsionada por contratos de modernização sob a Lei de Programação Militar.
- O governo solicita 5,8 mil milhões de euros ao mecanismo europeu SAFE para financiar fragatas, satélites, viaturas blindadas e reforçar a capacidade industrial nacional.
Composição do orçamento e prioridades de investimento
ThePortugalPost avança que o Ministério da Defesa Nacional português fixa em 6 mil milhões de euros a dotação para a defesa em 2025, num salto face aos 4,4 mil milhões de euros de 2024. A verba permite ao país cumprir pela primeira vez o objetivo de despesa equivalente a 2% do PIB no quadro da NATO.
Os encargos com salários e benefícios continuam a representar a maior fatia do orçamento, com 45% do total em 2025, embora recuem dos 54,7% registados no ano anterior. O ministro da Defesa, Nuno Melo, defende que uma remuneração competitiva é necessária para reter militares qualificados.
A aquisição de equipamento passa a absorver 21% da despesa total, acima dos 15% anteriores, impulsionada por contratos de modernização. O Exército reforça o investimento ao abrigo da Lei de Programação Militar, com verbas destinadas à modernização de viaturas blindadas, sistemas de defesa aérea e capacidades de comunicações táticas.
A categoria de outras despesas soma 31,38% e inclui operações, manutenção, investigação e desenvolvimento e outros encargos. A despesa em infraestruturas mantém um peso reduzido, de 2,15%, mas tende a crescer se avançarem empréstimos apoiados pela União Europeia para a compra de fragatas e satélites.
Pressão da NATO e impacto económico nacional
O desempenho orçamental de 2025 surge depois de a cimeira da NATO em Haia, em junho de 2025, ter acordado uma meta mais ambiciosa de 5% do PIB até 2035. Esse objetivo divide-se entre 3,5% para defesa principal, incluindo tropas, equipamento e treino, e 1,5% para infraestruturas relacionadas com segurança, resiliência cibernética e capacidade industrial.Portugal já apresentou o seu roteiro para essa transição, embora responsáveis reconheçam que níveis de despesa mais elevados exigem crescimento económico significativo ou reafetação de prioridades no orçamento do Estado. Os ministros da Defesa reúnem-se esta semana em Ancara para avaliar o progresso nesse percurso.
No plano industrial, o Governo pede 5,8 mil milhões de euros ao mecanismo europeu SAFE para financiar aquisições de fragatas, satélites, viaturas blindadas, sistemas de defesa aérea, artilharia e drones. O executivo vê a modernização militar como uma oportunidade para reforçar a capacidade industrial, expandir atividades de fabrico e manutenção e criar procura em áreas de engenharia e técnicas especializadas.
Entre as decisões estratégicas em aberto está a substituição da frota envelhecida de F-16, com o Lockheed Martin F-35A Lightning II entre as opções analisadas pela Força Aérea Portuguesa, a par de propostas da Saab e do consórcio Eurofighter Typhoon. Ao mesmo tempo, dois navios reabastecedores portugueses, o NRP Luís de Camões e o NRP Dinis, estão atualmente em construção em estaleiros turcos, com entrega prevista para 2028.
O aumento da despesa também acompanha o apoio militar a Kyiv, depois de Portugal ter aprovado 130,4 milhões de euros em ajuda militar à Ucrânia no mês passado. Para a economia nacional, o desafio passa agora por sustentar a trajetória de investimento em defesa sem agravar de forma excessiva a pressão sobre outras áreas prioritárias da despesa pública.
A nova meta da NATO para 2035 e o salto de 2% para 3,5% do PIB em despesa militar colocam Portugal perante um esforço orçamental significativo. Na nossa análise anterior, explicámos que cumprir esse objetivo poderá exigir mais 4 a 5 mil milhões de euros por ano, pressionando as contas públicas e forçando escolhas entre impostos, cortes noutras áreas e ajustes às regras europeias.
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