Central de Cervejas reforça descarbonização industrial em Portugal com investimento de 33,5 milhões
A fábrica de Vialonga entra agora numa nova fase da transição energética com um sistema de recuperação de calor destinado a reduzir o peso do gás natural na produção de cerveja. O projeto, cofinanciado em 8,8 milhões de euros pelo PRR, integra a estratégia da Central de Cervejas para atingir a neutralidade carbónica na produção até 2030.
Destaques
- Central de Cervejas investiu 33,5 milhões de euros numa bomba de calor em Vialonga, desenvolvida com a Siemens Portugal, para recuperar calor excedente e reduzir emissões.
- O novo sistema deverá cortar em cerca de 50% as emissões de CO2 da energia térmica, equivalente a 7.381 toneladas anuais, e aumentar a eficiência energética em 39%.
- Com 135 milhões de euros investidos na transição energética desde 2017, a Central de Cervejas visa neutralidade carbónica na produção até 2030 e descarbonização total da cadeia até 2040.
Projeto de Vialonga acelera corte de emissões
Como adiantou o Jornal de Negócios, citando um comunicado da Central de Cervejas e Bebidas, a empresa investiu 33,5 milhões de euros na unidade de Vialonga num sistema de recuperação de energia desenvolvido em parceria tecnológica com a Siemens Portugal.A solução, que entra agora em funcionamento, assenta numa bomba de calor e permite recuperar calor excedente dos processos de refrigeração, usando eletricidade de origem renovável, solar e eólica, para gerar energia térmica. Essa energia passa depois a ser distribuída por um circuito de água quente, substituindo parcialmente o vapor produzido pelas caldeiras a gás natural.
Segundo a empresa, o projeto deverá reduzir em cerca de 50% as emissões de CO2 associadas à energia térmica, o equivalente a 7.381 toneladas por ano, além de gerar ganhos de eficiência energética na ordem dos 39% face ao início do projeto. A Central de Cervejas sublinha que a energia térmica representa cerca de dois terços do consumo energético total das operações em Vialonga e continua a ser uma das áreas mais difíceis de descarbonizar.
Julien Haex, diretor-geral da Central de Cervejas e Bebidas, afirma que a empresa quer acelerar a descarbonização da indústria cervejeira, conciliando crescimento económico, inovação industrial e sustentabilidade. Sofia Tenreiro, CEO da Siemens em Portugal, destaca que o sistema inclui uma bomba de calor de alta temperatura de 6 megawatts, entre as primeiras desta escala no país.
Impacto industrial e metas até 2040
Entre 2017 e 2026, a Central de Cervejas e Bebidas indica ter investido 135 milhões de euros na transição energética das suas unidades de produção. Desde 2024, as operações da empresa são alimentadas por eletricidade 100% renovável, segundo a própria companhia.O secretário de Estado da Energia, Jean Barroca, que esteve presente na inauguração do novo sistema na segunda-feira, enquadra o projeto como exemplo de descarbonização industrial com retorno ambiental e económico. A empresa prevê ainda que, em 2028, as emissões remanescentes ligadas às necessidades de energia térmica sejam reduzidas através de uma bateria térmica carregada com eletricidade renovável, no âmbito de uma parceria tecnológica com a EDP/Rondo anunciada em novembro.
Ao atingir a neutralidade carbónica na produção até 2030, a cervejeira de Vialonga deverá passar a produzir cerveja com energia 100% renovável, mantendo como meta a descarbonização de toda a cadeia de valor até 2040. Fundada em 1934, a Central de Cervejas emprega perto de 1.500 trabalhadores, opera três unidades de produção e integra desde 2008 o grupo Heineken.
Na nossa publicação, abordámos o Relatório Integrado 2025 da LIPOR, que reúne o desempenho económico, social e ambiental da entidade e enquadra a execução da sua estratégia ESG. O documento, preparado segundo referenciais internacionais e com verificação externa, reforça a transparência através de métricas de sustentabilidade e prestação de contas junto dos municípios associados e restantes partes interessadas.
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