Portugal avança com candidatura ibérica a gigafábrica de IA em Sines
O Governo português autoriza um compromisso de 200 milhões de euros para apoiar uma candidatura conjunta com Espanha a uma das cinco gigafábricas de inteligência artificial previstas pela Comissão Europeia. Se for selecionado, o projeto pode mobilizar cerca de 4 mil milhões de euros em investimento em Portugal e reforçar a capacidade computacional soberana do país ao longo da próxima década.
Destaques
- Portugal avança com candidatura ibérica a gigafábrica de IA em Sines, com apoio público potencial de 400 milhões de euros se Bruxelas igualar o investimento inicial de 200 milhões de euros em sete anos.
- O consórcio liderado pelo Banco Português de Fomento, que inclui cerca de 80 empresas e estima investimento privado de 4 mil milhões de euros, projeta impacto equivalente a 3% do PIB anual se a execução for integral até 2030.
- A Comissão Europeia destinou 20 mil milhões de euros para cinco gigafábricas de IA, prevendo abertura oficial do concurso EuroHPC em julho de 2026 e início de operações para o fim de 2027.
Candidatura ibérica concentra aposta em Sines
Como noticiou o ThePortugalPost, o Conselho de Ministros deu luz verde para a ARTE, agência apoiada pelo Estado, avançar com 200 milhões de euros em sete anos na candidatura luso-espanhola ao programa europeu EuroHPC. O montante poderá ser igualado por Bruxelas, elevando o apoio público associado à componente portuguesa para 400 milhões de euros, caso a proposta seja escolhida.Sines surge como local principal da infraestrutura devido ao acesso a cabos submarinos, à ligação à rede elétrica e às condições logísticas. Abrantes continua em análise como localização de redundância, enquanto a instalação principal deverá atingir cerca de 150 megawatts de capacidade computacional e operar com mais de 100 mil GPUs de nova geração, com fornecimento já associado à Nvidia.
O ministro adjunto da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, enquadra a iniciativa como uma questão de soberania tecnológica, defendendo que o Estado português deve manter controlo sobre capacidade computacional usada por ministérios e serviços públicos. Essa orientação responde à preocupação europeia com a dependência de grandes fornecedores de cloud sediados na América do Norte e na Ásia, permitindo reservar capacidade para administração pública, universidades e pequenas e médias empresas.
Impacto económico e calendário europeu
Se a candidatura vencer, o consórcio prevê disponibilizar capacidade computacional como serviço a PME portuguesas a preços inferiores aos praticados por operadores globais de cloud, reduzindo barreiras de entrada em projetos de aprendizagem automática, processamento de linguagem natural e visão computacional. Centros de investigação e universidades também deverão obter acesso a tempo de processamento para áreas como genómica, modelação climática e ciência dos materiais.O consórcio português é liderado pelo Banco Português de Fomento e inclui perto de 80 empresas de Portugal, da União Europeia, do UK e dos U.S., entre elas Altice Portugal, Sonae, NOS, Bial, Hovione, Visabeira, Defined.ai, Beyond Vision e IMGA. Segundo os dados apresentados, o capital privado suportará cerca de 95% da parcela portuguesa, estimada em 4 mil milhões de euros, com potencial de impacto equivalente a 3% do PIB anual se a execução for integral e a utilização se mantiver até 2030.
A Comissão Europeia reservou cerca de 20 mil milhões de euros para cinco gigafábricas de IA e já recebeu dezenas de respostas de vários países, num processo competitivo que inclui candidaturas de França, Alemanha e outros mercados europeus. A abertura oficial do concurso EuroHPC está prevista para julho de 2026, a seleção final para setembro de 2026 e a entrada em funcionamento das primeiras unidades de computação para o fim de 2027, com capacidade plena apontada para meados de 2028.
Na nossa publicação anterior sobre o reforço financeiro para a candidatura ibérica a uma gigafábrica europeia de IA, explicámos que o Conselho de Ministros aprovou uma dotação de 200 milhões de euros ao longo de sete anos, que poderá ser igualada por financiamento europeu no âmbito do EuroHPC. O objetivo é assegurar capacidade própria de computação para o Estado e, em paralelo, disponibilizar infraestrutura a empresas e PME, reforçando a soberania tecnológica e a competitividade industrial.
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