Portugal reforça candidatura à gigafábrica europeia de IA com 200 milhões de euros
O Governo português avança com um reforço financeiro para apoiar a candidatura ibérica a uma gigafábrica europeia de inteligência artificial, numa aposta em capacidade própria de computação. A dotação de 200 milhões de euros, distribuída ao longo de sete anos se a proposta for escolhida, pode ser igualada pela Comissão Europeia no âmbito do programa EuroHPC.
Destaques
- O Conselho de Ministros aprovou uma dotação de 200 milhões de euros para apoiar a candidatura luso-espanhola à gigafábrica europeia de IA, liderada em Portugal pelo BPF.
- O financiamento visa adquirir capacidade de computação para o Estado e poderá ser duplicado por verba equivalente da Comissão Europeia caso a candidatura seja aprovada.
- A infraestrutura planejada estará acessível também a empresas e PMEs, reforçando a soberania tecnológica e a competitividade industrial de Portugal no setor de IA.
Financiamento público e âmbito da candidatura
Como noticiou o Jornal de Negócios, o Conselho de Ministros aprovou esta quinta-feira uma dotação de 200 milhões de euros para sustentar a participação portuguesa na candidatura conjunta com Espanha à gigafábrica europeia de IA. Do lado português, a operação é liderada pelo BPF, Banco Português de Fomento, e encontra-se em fase de apreciação na União Europeia.Segundo o ministro que falou após a reunião do Conselho de Ministros, o montante é destinado à aquisição de capacidade de computação, garantindo ao Estado português acesso a recursos que depois podem ser distribuídos por diferentes departamentos e ministérios. O governante acrescenta que, caso a candidatura seja selecionada, o investimento nacional será acompanhado por financiamento equivalente da Comissão Europeia.
Impacto para empresas e autonomia tecnológica
A infraestrutura prevista não se destina apenas às necessidades do Estado na área da computação e da inteligência artificial. O modelo também fica aberto à sociedade e a empresas que pretendam associar-se ao consórcio, incluindo pequenas e médias empresas.O Executivo apresenta esta iniciativa como uma forma de assegurar capacidade soberana de produção de inteligência artificial em Portugal. A aposta reforça o posicionamento do país numa área vista como estratégica para a competitividade industrial, para o acesso a tecnologia avançada e para o desenvolvimento de serviços digitais de maior valor acrescentado.
Na nossa publicação anterior sobre a estratégia de digitalização do Estado com inteligência artificial, explicámos como o Governo está a combinar gémeos digitais para prevenção de catástrofes, o lançamento do modelo de linguagem Amália e um programa de formação em IA para funcionários públicos. O objetivo passa por modernizar serviços, ganhar eficiência e reforçar a autonomia tecnológica com infraestrutura nacional e adoção alargada por organismos públicos e empresas.
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