Portugal avança com gémeos digitais e IA soberana para modernizar serviços públicos

Portugal avança com gémeos digitais e IA soberana para modernizar serviços públicos
Portugal digitaliza o Estado

Portugal está a acelerar a digitalização do Estado com uma estratégia que combina gémeos digitais para prevenção de catástrofes, um modelo de linguagem nacional e formação em inteligência artificial para funcionários públicos. A iniciativa liga proteção civil, eficiência administrativa e controlo tecnológico doméstico, com poupanças previstas nas compras públicas e arranque operacional faseado a partir de julho.

Destaques

  • Portugal investe 5,5 milhões de euros no modelo de linguagem Amália, focado em português europeu e infraestrutura nacional open source, com lançamento previsto para julho.
  • O programa de formação em inteligência artificial para funcionários públicos arranca com 25 milhões de euros e expande até 80 milhões no âmbito do Pacto para as Competências Digitais.
  • A harmonização de compras tecnológicas do Estado visa gerar 300 milhões de euros em poupanças, equivalente a 0,12% do PIB, para reforçar infraestrutura digital até 2030.

Plano tecnológico para risco e administração

The Portugal Post noticiou que o Ministério da Reforma do Estado anunciou um programa para desenvolver gémeos digitais aplicados à prevenção de incêndios rurais, cheias, gestão de tráfego e outras áreas da administração pública. A Agência para a Reforma Tecnológica do Estado, ARTE, está a desenvolver estas capacidades em Portugal, embora os detalhes finais dos projetos e do calendário ainda estejam em definição.

Os gémeos digitais são réplicas virtuais de sistemas físicos alimentadas por sensores e dados da Internet das Coisas, permitindo simular cenários antes de avançar com decisões no terreno. O objetivo é dar aos responsáveis públicos ferramentas para antecipar impactos, testar respostas e orientar a afetação de recursos com maior precisão.

Em paralelo, o Governo prepara o lançamento, em julho, de Amália, um grande modelo de linguagem concebido para português europeu e treinado com contexto cultural português. O projeto, com investimento de 5,5 milhões de euros financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência, deverá funcionar em infraestrutura nacional e em regime open source, permitindo utilização por universidades, empresas e organismos públicos sem dependência de plataformas estrangeiras.

Segundo o ministro da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, a arquitetura soberana de Amália torna o sistema adequado para usos sensíveis em saúde, defesa e operações governamentais classificadas. As primeiras aplicações estão previstas para o portal gov.pt, onde o modelo deverá apoiar o preenchimento de formulários, a verificação de elegibilidade e a orientação processual dos cidadãos.

Impacto orçamental e transformação do setor público

O programa inclui também formação em inteligência artificial para trabalhadores do Estado, começando com 25 milhões de euros e expandindo para 80 milhões no âmbito do Pacto para as Competências Digitais. A formação foca-se no uso prático das ferramentas, com aplicações em gestão de contratos, tratamento de licenças, automatização de processos e apoio documental.

Esta vertente integra-se na Estratégia Nacional Digital 2026-2030, um enquadramento de mil milhões de euros dirigido ao reforço das capacidades digitais nas pequenas empresas, na administração pública e entre os cidadãos. Em paralelo, a Agenda Nacional de Inteligência Artificial estrutura prioridades em modernização de infraestruturas e dados, inovação e adoção, desenvolvimento de talento e governação ética da IA.

Outra frente da reforma passa pela normalização das compras tecnológicas do Estado. Ao substituir negociações dispersas por contratos e especificações harmonizados entre ministérios e organismos, o Governo estima gerar poupanças de 300 milhões de euros, cerca de 0,12% do PIB, criando margem para reforçar infraestrutura digital e novos projetos tecnológicos.

No contexto europeu, Portugal segue uma tendência já visível em cidades como Barcelona, Milão e Zurique, bem como em iniciativas de escala continental para clima e infraestruturas. Para residentes e empresas, o efeito esperado passa por serviços públicos mais rápidos, melhor preparação para desastres naturais e maior transparência sobre o investimento público em tecnologia.

Na nossa publicação anterior sobre a Prestação Social Única (PSU), explicámos que a reforma pretende agregar 13 prestações não contributivas num único apoio, um passo considerado decisivo para desbloquear verbas do PRR. Também detalhámos o acordo político entre PS e PSD, as alterações aos critérios de acesso (como o limite patrimonial e regras para estrangeiros) e as incertezas que ficaram para a regulamentação, incluindo a eventual exigência de atividades de inserção social.

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