Bondalti avança com saída de bolsa da Ercros após reforçar controlo na química catalã

Bondalti avança com saída de bolsa da Ercros após reforçar controlo na química catalã
Bondalti retira Ercros da bolsa

A Ercros aprova a saída de bolsa depois de a portuguesa Bondalti ter assumido 77,23% do capital no âmbito da OPA concluída em março. A decisão inclui também uma oferta obrigatória sobre as ações remanescentes a 3,505 euros por título, num passo que acelera a reorganização acionista e de gestão da empresa.

Destaques

  • A assembleia geral da Ercros aprovou a exclusão de bolsa e a OPA obrigatória da Bondalti ao preço de 3,505 euros por ação.
  • Bondalti detém agora 77,23% da Ercros, numa OPA avaliada em cerca de 329 milhões de euros, consolidando posição no setor químico ibérico.
  • Nova administração da Ercros reduz o conselho para sete membros, nomeando Antón Valero Solanellas e reforçando o alinhamento com a Bondalti.

Assembleia confirma OPA remanescente

De acordo com o Jornal de Negócios e segundo um comunicado da Ercros, a assembleia geral realizada esta terça-feira dá luz verde à exclusão de bolsa da empresa e ao lançamento de uma oferta pública de aquisição obrigatória pela Bondalti sobre as ações que ainda não detém. O preço fixado para essa operação é de 3,505 euros por ação.

Durante a reunião, o presidente Antón Valero afirma que a operação oferece aos acionistas uma oportunidade de liquidez antes da retirada de bolsa. O responsável avisa também que quem não aceitar a oferta do grupo português ficará com uma participação numa empresa não cotada, sem liquidez e sem perspetiva de distribuição de dividendos.

A assembleia conta com a presença de 54 acionistas, representando 87,274% do capital subscrito. Entre as deliberações aprovadas está ainda a revogação da política de remuneração dos acionistas, em linha com a nova estrutura societária e com o processo de saída de bolsa.

Nova administração e impacto no setor ibérico

A empresa aprova igualmente uma nova composição do conselho de administração, que passa de oito para sete membros. Fica ratificada a nomeação de Antón Valero Solanellas como administrador não executivo, enquanto João Maria Guimarães José de Mello e André Cabral Côrte-Real de Albuquerque entram como administradores executivos.

Os acionistas aprovam também a nomeação de Luís Rebelo da Silva e de Agustín Franco Blasco como administradores executivos. As administradoras independentes Carme Moragues e Lourdes Vega mantêm-se no órgão de administração.

Em março, a Bondalti, controlada pela holding José de Mello, assume o controlo da Ercros ao adquirir 77,23% do capital da química catalã numa OPA avaliada em cerca de 329 milhões de euros. A operação reforça a presença do grupo português no mercado ibérico de químicos industriais, onde já opera unidades fabris em Estarreja, em Portugal, e em Torrelavega, em Espanha.

Antes da conclusão da oferta, o conselho de administração da Ercros tinha emitido um parecer desfavorável à OPA, embora sem unanimidade. A Bondalti contestava essa posição, defendendo que não existia registo de votação dos acionistas contra a operação nas duas últimas assembleias gerais e rejeitando a ideia de que a Ercros perderia relevância num grupo de maior dimensão.

Na nossa publicação anterior sobre o interesse da Lufthansa na privatização da TAP, explicámos que a transportadora concluiu formalmente o plano de reestruturação iniciado em 2021, levantando restrições associadas à ajuda estatal. Também destacámos que, com esse dossiê encerrado, a empresa avançava para a venda de até 49,9% do capital, com um calendário definido para ofertas, análise e decisão final.

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