Portugal regista abrandamento na criação de empresas, enquanto construção e tecnologia resistem

Portugal regista abrandamento na criação de empresas, enquanto construção e tecnologia resistem
Construção e tech resistem

A criação de empresas em Portugal recua 4,1% no primeiro semestre de 2026, no arranque semestral mais fraco desde 2023. O movimento expõe uma forte divisão setorial, com construção e tecnologias da informação a manterem tração, enquanto agricultura, retalho alimentar e restauração perdem fôlego.

Destaques

  • Portugal apresenta abrandamento na criação de empresas, com exceção dos setores de construção e tecnologia que mostram resistência relativa em 2024.
  • O setor imobiliário regista aumento das insolvências, elevando o risco de incumprimento e podendo impactar a dinâmica do mercado habitacional.
  • Investidores enfrentam maior seletividade setorial, beneficiando projetos ligados à construção, TIC e fundos europeus, enquanto microempresas enfrentam custos e insolvências crescentes.

Impacto setorial agrava seletividade para investidores

Segundo The Portugal Post, o abrandamento sugere um ambiente mais difícil para lançar negócios fora da construção e da tecnologia, com acesso a capital mais limitado e obstáculos estruturais em várias atividades tradicionais. No campo, os custos, a escassez de mão de obra e a volatilidade climática continuam a travar novos projetos, apesar do apoio público previsto para modernização e renovação geracional.

No retalho e na restauração, a concorrência intensa, a pressão sobre margens e a importância de localizações premium reduzem o espaço para novos operadores. No imobiliário, a subida das insolvências aumenta o risco de incumprimento num segmento antes visto como mais estável, podendo influenciar a dinâmica do mercado habitacional, embora o alcance desse efeito ainda permaneça incerto.

Para investidores, o quadro aponta para uma avaliação mais cuidadosa do risco por setor. Projetos ligados à construção e a iniciativas apoiadas por fundos europeus, bem como empresas de TIC, surgem como áreas relativamente mais resilientes, enquanto a sobrevivência das micro e pequenas empresas criadas no ciclo de expansão de 2025 deve depender da capacidade de enfrentar custos mais altos e um contexto de insolvência crescente.

O fundo de fundos de 1,5 mil milhões de euros do Banco Português de Fomento, que a nossa publicação já analisou, pretende mobilizar investimento privado a partir do outono de 2026 para reforçar os capitais próprios de startups e PME, através de fundos intermediários. O objetivo é reduzir a dependência de dívida bancária e direcionar recursos para áreas como transição verde, digitalização e inteligência artificial, num pacote que também inclui simplificação do licenciamento e reprogramação de verbas do Portugal 2030.

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