Crédito à habitação em Portugal concentra-se em compras entre 250 mil e 500 mil euros

Crédito à habitação em Portugal concentra-se em compras entre 250 mil e 500 mil euros
Habitação entre 250-500 mil

O mercado português de crédito à habitação está concentrado em imóveis de valor intermédio a elevado, num contexto de subida dos preços das casas e de maior exigência no acesso ao financiamento. Os montantes efetivamente financiados ficam sobretudo entre 150 mil e 250 mil euros, enquanto a maioria dos processos demora entre 31 e 60 dias até à escritura.

Destaques

  • 54,5% das compras de habitação financiadas em Portugal situam-se entre 250.001 e 500.000 euros, segundo inquérito a 733 gestores de crédito.
  • Novas regras a partir de 1 de agosto de 2026 limitam taxa de esforço a 45% do rendimento líquido e reduzem exceções dos bancos para 10% do crédito por semestre.
  • Preços da habitação em Portugal sobem 17,8% no primeiro trimestre de 2026, com valor médio de 3.123 euros/m2 e aumento previsto de 5,7% até maio de 2026.

Inquérito mostra perfil das operações financiadas

Como noticiou o ThePortugalPost.com, um inquérito realizado na primavera junto de 733 gestores de crédito registados no Banco de Portugal indica que 54,5% das compras de habitação com financiamento se situam entre 250.001 e 500.000 euros. Outros 37,4% dos intermediários apontam valores inferiores e apenas 5,5% referem transações acima de meio milhão de euros.

Nos empréstimos, a faixa mais comum é a de 150.000 a 250.000 euros, com 45,7% das operações, seguida do intervalo entre 250.001 e 500.000 euros, com 42,7%. A diferença entre o preço de compra e o montante financiado reflete o peso das poupanças próprias e do apoio familiar na entrada inicial.

O enquadramento regulatório também está a apertar as condições de acesso ao crédito. A partir de 1 de agosto de 2026, as regras referidas no texto apontam para uma taxa de esforço máxima de 45% do rendimento líquido do agregado, abaixo do limite anterior de 50%, e para uma redução da margem de exceção dos bancos de 15% para 10% do crédito total concedido por semestre. Os prazos também ficam alinhados por idade, até 40 anos para compradores com 35 anos ou menos e até 35 anos para quem tem mais de 35 anos.

Prazos, procura e impacto no mercado residencial

Quase 67% dos intermediários inquiridos recebem mais de 20 novos clientes por mês, mas a conversão em escrituras continua a ser mais lenta. Para 55,3%, o processo entre o primeiro contacto e a assinatura da escritura dura normalmente entre 31 e 60 dias, enquanto 38,1% apontam para 61 a 90 dias. Apenas 2,6% dizem fechar operações de forma consistente em menos de um mês.

O retrato surge num mercado em que os preços residenciais continuam a subir. Segundo o texto, os preços da habitação em Portugal avançam 5,7% até maio de 2026 face ao final de 2025, com o valor médio por metro quadrado a atingir 3.123 euros entre março e maio. No primeiro trimestre de 2026, Portugal regista a maior subida anual dos preços da habitação na União Europeia, de 17,8%, embora abaixo dos 23,4% observados em 2025.

Para residentes e compradores não residentes, a combinação de preços mais altos com critérios de concessão mais restritivos está a reduzir a capacidade de compra, sobretudo nas zonas urbanas de maior procura. O texto acrescenta que os intermediários reforçam o seu peso no setor, depois de terem mediado 50,6% de todo o crédito concedido em 2025 e 57% do crédito para habitação e hipotecas, enquanto ferramentas digitais e inteligência artificial ganham espaço num mercado que continua ativo, mas com sinais de arrefecimento no volume de transações.

Na nossa publicação, analisámos o abrandamento da criação de empresas em Portugal no primeiro semestre de 2026 e a crescente divergência entre setores. O texto destacava a resiliência relativa da construção e das TIC, ao mesmo tempo que alertava para o aumento das insolvências no imobiliário, um fator que pode elevar o risco de incumprimento e influenciar a dinâmica do mercado habitacional. Esse pano de fundo ajuda a enquadrar como o setor entra num período de maior seletividade e restrição, com potenciais efeitos também no financiamento.

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