Banco Português de Fomento prepara fundo de 1,5 mil milhões de euros para reforçar capital das empresas em Portugal

Banco Português de Fomento prepara fundo de 1,5 mil milhões de euros para reforçar capital das empresas em Portugal
Fundo histórico para empresas

Num contexto de subcapitalização crónica de muitas empresas portuguesas, o Banco Português de Fomento prepara o lançamento de um fundo de fundos de 1,5 mil milhões de euros para mobilizar investimento privado no outono de 2026. A estrutura canaliza capital para startups, PME e empresas de maior dimensão através de fundos intermediários, em vez de financiamento direto às sociedades.

Destaques

  • Banco Português de Fomento lançará um fundo de 1,5 mil milhões de euros em 2026 para investir em private equity, capital de risco e crédito, exigindo captação maioritária de capital privado.
  • O instrumento visa reforçar os capitais próprios das empresas portuguesas, com prioridade para transição verde, digitalização e inteligência artificial, reduzindo dependência de dívida bancária.
  • O pacote económico inclui construção de seis parques industriais, revisão do licenciamento empresarial, reprogramação de verbas do Portugal 2030 para tecnologia e meta de formar 100 mil trabalhadores em IA até 2027.

Modelo de investimento e calendário do fundo

Conforme noticiou o The Portugal Post, a iniciativa foi anunciada pelo ministro da Economia e da Coesão Territorial, Castro Almeida, numa conferência em Lisboa, como parte de uma nova abordagem para atrair capital privado e reduzir a dependência exclusiva de recursos públicos. O desenho do veículo aproveita a experiência do Fundo de Capitalização e Resiliência do Plano de Recuperação e Resiliência e aposta num efeito multiplicador do investimento público.

Ao contrário de mecanismos tradicionais de apoio estatal, o fundo de fundos investe em fundos de private equity, capital de risco e crédito, que depois aplicam os recursos nas empresas. O Banco Português de Fomento fica com participações minoritárias, exigindo que os gestores parceiros captem a maior parte do capital junto de investidores privados, com lançamento previsto para o outono de 2026.

Para empresários, o acesso ao capital não passa por candidatura direta ao banco público. As empresas terão de captar o interesse de um dos fundos selecionados, enquanto o Estado procura reduzir risco e tornar Portugal mais atrativo para gestores de fundos e para novos fluxos de investimento.

Impacto esperado na competitividade e na política económica

O objetivo é reforçar a base de capitais próprios de um tecido empresarial que continua muito dependente de dívida bancária, situação que limita investimento em investigação, digitalização e expansão internacional. O instrumento deverá canalizar capital e quase capital, incluindo ações ordinárias, obrigações convertíveis e empréstimos participativos, com prioridade para áreas alinhadas com a transição verde, transformação digital e inteligência artificial.

A medida integra um pacote económico mais amplo apresentado pelo Governo. Entre as restantes frentes estão a construção de seis parques industriais entre 3 e 8 quilómetros quadrados, distribuídos entre litoral e interior, a revisão das regras de licenciamento empresarial e a criação de um Código de Licenciamento das Atividades Económicas para consulta pública no outono.

O Executivo também pretende reprogramar verbas do Portugal 2030 para tecnologia e descarbonização, dando prioridade a investimentos em energia limpa e a uma execução mais rápida dos fundos europeus. Em paralelo, fixou a meta de formar 100 mil trabalhadores em inteligência artificial em três anos, numa estratégia que liga financiamento, simplificação administrativa e qualificação para elevar a produtividade da economia portuguesa.

Na nossa publicação anterior sobre o novo Código de Licenciamento das Atividades Económicas, detalhámos a proposta do Governo para concentrar num único diploma a legislação hoje dispersa e simplificar o arranque de atividade das empresas. Entre as mudanças, a vistoria prévia passa a ser excecional, ganhando peso a comunicação de início de atividade assinada por técnico responsável, com o objetivo de reduzir custos e prazos e aumentar a previsibilidade para o investimento.

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