Portugal coloca 1,262 mil milhões de euros em dívida, abaixo do objetivo máximo do IGCP
Portugal capta 1,262 mil milhões de euros numa emissão de dívida de médio e longo prazo, ficando abaixo do limite máximo de 1,5 mil milhões de euros definido para o leilão. A operação mostra um recuo da taxa na referência a 10 anos face a maio e uma procura dos investidores acima da oferta nas duas maturidades.
Destaques
- Portugal emitiu 1,262 mil milhões de euros em dívida de médio e longo prazo, abaixo do objetivo máximo de 1,5 mil milhões definido pelo IGCP.
- No leilão a 10 anos foram colocados 703 milhões de euros com juro de 3,439%, inferior aos 3,452% registados na emissão comparável de maio.
- A procura superou a oferta em ambas as maturidades, com investidores oferecendo aproximadamente o dobro do montante pretendido, indicando interesse sólido na dívida portuguesa.
Resultados do leilão e condições de financiamento
Segundo Jornal de Negócios, citando a Bloomberg, o IGCP, Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública, emite esta quarta-feira 1,262 mil milhões de euros em dívida de médio e longo prazo, num montante inferior ao teto de 1,5 mil milhões de euros previsto para a operação.Na maturidade de referência a 10 anos, Portugal coloca 703 milhões de euros com um juro de 3,439%, abaixo da última emissão comparável realizada em maio. Nessa operação anterior, o Tesouro tinha colocado 755 milhões de euros a uma taxa de 3,452%, num contexto marcado por receios sobre o impacto da guerra no Irão na inflação.
Na linha a 16 anos, o IGCP emite 559 milhões de euros com uma yield de 3,838%. O anterior leilão nesta maturidade tinha ocorrido em setembro do ano passado, quando foram angariados 510 milhões de euros e os investidores exigiram uma taxa de 3,637%.
Procura dos investidores e leitura para o mercado
A procura supera a oferta nas duas linhas colocadas. No prazo de 10 anos, a procura mais do que duplica a oferta e fica acima da registada na emissão anterior, sinalizando interesse sustentado pelo papel português mesmo num quadro de custos de financiamento ainda elevados.Na dívida a 16 anos, a taxa pedida pelos investidores sobe face ao leilão de setembro do ano passado, mas a procura também aumenta. Desta vez, os investidores oferecem-se para comprar cerca do dobro do montante pretendido, o que reforça a indicação de que Portugal mantém acesso sólido ao mercado em prazos mais longos.
Na nossa publicação anterior, destacámos a emissão dupla de obrigações do Tesouro conduzida pelo IGCP, com um montante indicativo entre 1.250 e 1.500 milhões de euros e maturidades em 2036 e 2042, num dia em que os mercados também aguardavam as atas da Fed. O texto enquadrava ainda o ambiente de risco com a escalada das tensões no Médio Oriente e a subida do petróleo, fatores que influenciam o sentimento dos investidores e as condições de financiamento.
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