Via Verde inicia cobrança eletrónica de portagens para camiões nos Países Baixos

Via Verde inicia cobrança eletrónica de portagens para camiões nos Países Baixos
Portagens eletrónicas Via Verde

A Via Verde começa a cobrar portagens a veículos pesados nos Países Baixos desde 1 de julho de 2026, numa expansão internacional relevante para o grupo controlado pela Brisa. O novo sistema substitui o modelo fixo da Eurovinheta por uma tarifa eletrónica por quilómetro em cerca de 3.000 quilómetros de autoestradas e estradas regionais.

Destaques

  • Via Verde e consórcio NedLinq iniciam operação do novo sistema de portagens eletrónicas GPS/GNSS para camiões >3,5 toneladas nos Países Baixos a partir de setembro de 2026.
  • A tarifa por quilómetro varia consoante peso, CO2 e norma Euro, com camiões elétricos (>32 toneladas) pagando 0,038 euros/km e diesel Euro 6 pagando 0,201 euros/km, ambos com desconto temporário de 22,3% até 31 de dezembro de 2026.
  • Transportadoras portuguesas devem instalar unidades de bordo NedLinq sob risco de multas (400–800 euros) e beneficiarão da integração em acordos EETS, enquanto receitas do novo sistema financiam programas de sustentabilidade e renovação de frotas.

Contrato neerlandês e novo modelo de cobrança

Como noticiou o Portugal Post, o contrato foi atribuído ao consórcio NedLinq, liderado pela Via Verde e integrado também pela Ascendi O&M e pela Yunex Traffic, para operar o novo regime de portagens para pesados nos Países Baixos. A mudança abrange veículos de mercadorias das categorias N2 e N3, ou seja, acima de 3,5 toneladas, e aplica-se tanto a operadores neerlandeses como estrangeiros.

O sistema elimina portagens físicas e passa a assentar em unidades de bordo com tecnologia GPS/GNSS, que registam os percursos e transmitem os dados para a plataforma de retaguarda operada pela Yunex Traffic. As faturas são emitidas mensalmente às transportadoras, com discriminação por distância percorrida, classe do veículo e tarifa aplicável.

A tarifa depende de três fatores, peso bruto, classe de CO2 e, nos veículos mais poluentes, norma Euro. Segundo os detalhes divulgados, um camião elétrico com mais de 32 toneladas paga cerca de 0,038 euros por quilómetro, enquanto um veículo diesel Euro 6 na mesma classe paga aproximadamente 0,201 euros, reforçando o incentivo económico à renovação da frota.

Entre 1 de setembro e 31 de dezembro de 2026, todas as categorias beneficiam de um desconto temporário de 22,3%. Para um camião Euro 6 com mais de 32 toneladas, a taxa média desce de 0,201 para 0,156 euros por quilómetro, numa medida anunciada pelo governo neerlandês para aliviar a pressão dos custos do diesel.

Impacto para transportadoras portuguesas e setor europeu

As empresas portuguesas de transporte que operam para os Países Baixos ou atravessam o país passam a ter de garantir que cada veículo dispõe de uma unidade de bordo aprovada e de um contrato com um prestador de portagens. O incumprimento implica coimas de 400 euros durante o período de tolerância até ao fim de 2026, valor que sobe para 800 euros depois de 31 de dezembro de 2026.

A Via Verde disponibiliza unidades de bordo da NedLinq para transportadoras não residentes, sem mensalidade de subscrição além de um depósito reembolsável. Para operadores portugueses já habituados ao serviço eletrónico nacional, o processo mantém uma lógica semelhante, com registo da frota, instalação do equipamento e faturação consolidada em acordos multipaís EETS.

O contrato de 10 anos reforça a exportação do conhecimento português em portagens eletrónicas, num dos corredores logísticos mais movimentados da Europa. A operação também amplia a presença internacional da Via Verde para além da Península Ibérica, numa altura em que outros países da União Europeia acompanham o desempenho do modelo neerlandês para avaliar reformas semelhantes baseadas em distância e emissões.

Em paralelo, as autoridades neerlandesas canalizam as receitas para programas de sustentabilidade, incluindo apoio à compra de camiões elétricos, infraestrutura de carregamento e projetos de hidrogénio. Esse enquadramento, somado às zonas urbanas de emissões zero já em vigor em 14 cidades neerlandesas, aumenta a pressão regulatória para a descarbonização das frotas de mercadorias.

Na nossa análise anterior sobre a subida dos preços dos combustíveis em Portugal, explicámos que o gasóleo e a gasolina avançavam de forma acentuada, pressionados pela tensão no Médio Oriente e pelos custos acrescidos de transporte e seguros. Também destacámos o impacto imediato nos custos de mobilidade e logística, com reflexos na inflação e na necessidade de respostas fiscais e políticas para mitigar o choque.

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