Portugal agrava preços dos combustíveis a partir de 20 de julho

Portugal agrava preços dos combustíveis a partir de 20 de julho
Combustíveis sobem em julho

Os preços dos combustíveis em Portugal voltam a subir na segunda-feira, 20 de julho de 2026, aproximando gasóleo e gasolina da fasquia dos 2 euros por litro. O aumento eleva o custo de um depósito de 50 litros em até 13,50 euros e surge num contexto de tensão no Médio Oriente que está a pressionar o petróleo e os produtos refinados.

Destaques

  • A partir de 22 de julho, o gasóleo em Portugal sobe entre 12 e 13,5 cêntimos para 1,97–1,99 euros por litro e a gasolina aumenta 5–6,5 cêntimos para 1,97–1,98 euros.
  • A valorização do Brent devido a tensões no Estreito de Ormuz impulsionou as cotações internacionais da gasolina em 4,3% e do gasóleo em 9,7% na última semana.
  • Os impostos representam 50,5% do valor da gasolina e 44,7% do gasóleo, mantendo os preços portugueses 28 a 37 cêntimos acima de Espanha e incentivando abastecimentos transfronteiriços.

Subida de preços e calendário da revisão

Como noticiou o The Portugal Post, a Direção-Geral de Energia e Geologia confirmou uma nova atualização em alta dos combustíveis para segunda-feira, com o gasóleo a subir entre 12 e 13,5 cêntimos por litro e a gasolina entre 5 e 6,5 cêntimos. Com esta revisão, o preço médio do gasóleo passa para cerca de 1,97 a 1,99 euros por litro, enquanto a gasolina fica em torno de 1,97 a 1,98 euros por litro.

Até segunda-feira de manhã mantêm-se os valores atuais, de 1,85 euros por litro no gasóleo e 1,92 euros na gasolina, segundo os dados citados da DGEG. Para um depósito de 50 litros, o impacto previsto é de mais 6 a 6,75 euros na gasolina e até 13,50 euros no gasóleo, enquanto veículos comerciais com abastecimentos maiores enfrentam aumentos mais pesados.

A pressão sobre os preços acompanha a valorização do Brent nas últimas sessões, impulsionada pelas hostilidades entre Washington e Teerão e por perturbações logísticas no estreito de Ormuz. A entidade reguladora indica também que as cotações internacionais da gasolina refinada subiram 4,3% na última semana e as do gasóleo 9,7%, num mercado particularmente exposto a capacidade de refinação, fretes e prémios de risco geopolítico.

Impacto no mercado ibérico e resposta regulatória

A diferença de preços face a Espanha mantém-se relevante, mesmo após o fim de parte do alívio fiscal extraordinário no país vizinho em 30 de junho de 2026. Em meados de julho, a gasolina em Espanha ronda 1,54 a 1,56 euros por litro e o gasóleo 1,55 a 1,57 euros, o que deixa os preços portugueses cerca de 28 a 37 cêntimos acima, consoante o combustível.

Segundo os dados regulatórios referidos no texto, o diferencial estrutural continua a resultar sobretudo da carga fiscal. Os impostos sobre os combustíveis representam 50,5% do preço da gasolina e 44,7% do gasóleo em Portugal, o equivalente a 0,98 euros por litro e 0,85 euros por litro, respetivamente, mantendo o incentivo para abastecimentos transfronteiriços nas zonas de fronteira.

Perante a nova escalada, a ministra do Ambiente e da Energia, Maria da Graça Carvalho, pediu à ERSE um estudo urgente de 20 dias sobre o mecanismo de transmissão dos preços internacionais para os postos de abastecimento. O governo admite avaliar limites excecionais às margens comerciais, enquanto a Autoridade da Concorrência conduz uma análise paralela sobre práticas de preços, com conclusões esperadas no início de agosto.

As associações do setor rejeitam a ideia de distorções generalizadas e defendem que os atrasos na descida dos preços refletem custos fixos elevados, menor capacidade de armazenamento e a própria estrutura europeia de abastecimento. Para já, a revisão de segunda-feira deixa os combustíveis em Portugal praticamente nos 2 euros por litro, e novas subidas continuam possíveis se a tensão geopolítica e a pressão sobre o Brent persistirem.

Na nossa publicação anterior sobre a possível limitação temporária das margens nos combustíveis, explicámos que o Governo pediu à ERSE, com um prazo de 20 dias úteis, esclarecimentos sobre a forma como as variações do petróleo são transmitidas aos preços nos postos — sobretudo a diferença entre a rapidez nas subidas e a lentidão nas descidas. Referimos ainda que, caso sejam detetadas distorções graves, o Executivo admite impor margens máximas de forma excecional, aumentando o escrutínio sobre a cadeia de comercialização e o mecanismo de formação de preços.

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