Portugal e UE reforçam plano para reter talento tecnológico e expandir financiamento à inovação

Portugal e UE reforçam plano para reter talento tecnológico e expandir financiamento à inovação
Retenção de talento tech

Portugal aprofunda a coordenação com a Comissão Europeia num momento em que Bruxelas prepara novas regras e instrumentos financeiros para reforçar a competitividade tecnológica do bloco. A visita de Ekaterina Zaharieva ao país centra-se na retenção de talento, no aumento do investimento em investigação e inovação e na redução de obstáculos regulatórios para startups e scale-ups.

Destaques

  • Comissão Europeia e Portugal articulam roteiro comum para o fundo Scaleup Europe de 5 mil milhões de euros e futuro Quadro Financeiro Plurianual.
  • Portugal já captou 1,3 mil milhões de euros no Horizon Europe e iniciativas como a ERA Act e o fundo EQT visam reter talento tecnológico europeu e expandir scale-ups deep tech.
  • Lisboa fortalece ecossistema local com a Unicorn Factory Lisbon e atrai 17 unicórnios, enquanto startups como Delox recebem 1,6 milhões de euros do European Innovation Council.

Roteiro europeu para investimento e scale-ups

Segundo Comissão Europeia, a visita de alto nível de Ekaterina Zaharieva a Portugal termina com foco num roteiro comum para o futuro Espaço Europeu da Investigação, para o fundo Scaleup Europe de 5 mil milhões de euros e para o próximo Quadro Financeiro Plurianual. As reuniões incluem encontros com o ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, com o secretário de Estado do Orçamento, José Maria Brandão de Brito, e com o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, além de intervenções perante empresários e académicos na 1.ª Conferência Nacional de Ciência e Inovação.

Com Portugal a liderar entre os Estados-membros do grupo “Widening” no programa Horizon Europe, tendo já assegurado 1,3 mil milhões de euros em financiamento, Bruxelas sublinha a necessidade de converter apoio temporário da RRF em orçamentos públicos nacionais estáveis e de longo prazo para investigação e inovação. A Comissão indica também que cada euro investido através do Horizon Europe pode gerar até 11 euros em ganhos de PIB até 2045.

Zaharieva defende que a Europa precisa de travar a saída de projetos tecnológicos promissores para investidores de Silicon Valley e da Ásia. Neste quadro, a Comissão destaca quatro iniciativas centrais: a futura ERA Act, prevista para adoção no segundo semestre de 2026, a proposta de regime facultativo “EU Inc.” para criação de empresas pan-europeias em menos de 48 horas, a simplificação de procedimentos digitais e o lançamento no outono de 2026 de um fundo de 5 mil milhões de euros gerido pela EQT para scale-ups de deep tech em fases tardias de financiamento, com rondas médias acima de 100 milhões de euros.

Impacto para Lisboa e para o ecossistema português

Na vertente local, a deslocação passa por projetos de inovação em Lisboa e por encontros com fundadores de startups nas áreas de inteligência artificial, saúde e cibersegurança. As conversas abordam a fragmentação regulatória no mercado europeu, a burocracia, o acesso a capital e medidas de apoio a fundadoras, num contexto em que a cidade procura consolidar-se como polo tecnológico.

Sob o primeiro mandato de Carlos Moedas, Lisboa cria a Unicorn Factory Lisbon, que apoia atualmente 17 unicórnios em operação na cidade, e recebe em 2023 o título de Capital Europeia da Inovação. A visita inclui ainda uma passagem pelo Beato Innovation District e pela Fundação Champalimaud, onde o destaque vai para a captação de bolsas competitivas do European Research Council e para um projeto em curso para reduzir até 2028 a pegada carbónica da imagiologia médica.

Entre as empresas presentes nas reuniões está a Delox, spin-off universitária que assegura recentemente apoio de 1,6 milhões de euros do European Innovation Council. Para Portugal, o alinhamento com as novas iniciativas europeias pode reforçar a capacidade de atrair capital de crescimento e de fixar talento científico e empresarial num mercado que continua a competir com centros tecnológicos fora da Europa.

Na nossa publicação anterior sobre a visita de Ekaterina Zaharieva à Unicorn Factory Lisboa, destacámos como a comissária europeia avaliou o impacto económico e inovador do hub e discutiu temas como inteligência artificial, regulação e competitividade europeia. O texto também sublinhou o posicionamento internacional da Unicorn Factory Lisboa e a cooperação com a Comissão Europeia para criar condições que atraiam e retenham talento e investimento na cidade.

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